Ferrari Luce: interior do primeiro carro elétrico da marca foi revelado hoje; Designer do iPhone ajudou no projeto
A Ferrari divulgou nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, o nome e o interior do seu primeiro superesportivo elétrico, movimento que encerra oficialmente a fase de expectativa e inaugura uma nova etapa industrial para a marca de Maranello. O modelo se chama Luce e passa a ocupar um espaço simbólico dentro da estratégia da fabricante ao assumir, sem híbridos como intermediários, a eletrificação total.
A revelação ocorreu de forma calculada. O nome e o habitáculo vieram agora, enquanto o desenho externo ficará restrito a maio de 2026, na Itália. Antes disso, em outubro de 2025, a Ferrari já havia apresentado a arquitetura técnica do carro. O fatiamento das informações indica o peso do projeto, tratado internamente como um divisor de águas, não apenas tecnológico, mas também cultural.
O interior da Ferrari Luce nasce de uma parceria incomum para o setor automotivo. A Ferrari trabalhou com a LoveFrom, estúdio criativo fundado por Jony Ive e Marc Newson, responsáveis por parte do design mais icônico da indústria de tecnologia nas últimas décadas. O resultado aparece logo no primeiro contato visual, com a decisão explícita de reduzir telas e recuperar comandos físicos, mecânicos e táteis.
A mudança responde a críticas feitas por clientes e pela imprensa especializada aos comandos capacitivos adotados recentemente em modelos como SF90 Stradale e 296 GTB. No Luce, a operação volta a ser guiada por botões, alavancas e interruptores, permitindo acionamentos rápidos sem que o motorista precise tirar os olhos da estrada. A inspiração declarada vem da Fórmula 1 e dos esportivos clássicos da marca.
O volante segue essa lógica ao adotar três raios e resgatar a silhueta dos antigos Nardi de madeira usados nas Ferraris dos anos 1950 e 1960. A execução, porém, é atual. A peça é usinada em alumínio 100% reciclado e ficou 400 gramas mais leve do que os volantes atuais da marca. Atrás dele, o painel de instrumentos é fixado à coluna de direção e se move junto com o ajuste do volante, garantindo leitura constante das informações.
O cluster utiliza duas telas OLED sobrepostas fornecidas pela Samsung Display. O arranjo cria um efeito de profundidade tridimensional a partir de recortes físicos no hardware. No console central, uma tela montada sobre articulação esférica pode ser orientada para motorista ou passageiro. O sistema de infoentretenimento inclui um multigráfico com ponteiros físicos de alumínio que operam cronógrafo, bússola e relógio.
Os materiais também marcam ruptura. O Luce abandona o couro e a fibra de carbono como protagonistas e passa a usar alumínio reciclado anodizado e vidro Corning Fusion5, o mesmo tipo de material empregado em smartphones de alto desempenho, com maior resistência a riscos. A chave segue a mesma linguagem. Produzida em vidro, traz uma tela de tinta eletrônica que muda de cor ao ser acoplada ao console e dispara uma sequência luminosa que indica o carro pronto para rodar. A alavanca de câmbio é uma peça usinada em vidro.
Sob a carroceria, a Ferrari apostou em uma arquitetura inédita de quatro motores elétricos de ímãs permanentes, um por roda. O conjunto entrega mais de 1.000 cv e 106 kgfm de torque instantâneo. A distribuição privilegia o eixo traseiro, responsável por 843 cv, enquanto a dianteira soma 286 cv e pode ser desacoplada em 0,5 segundo para uma condução puramente traseira.
A solução permite vetorização de torque independente em cada roda e ajuda a disfarçar os cerca de 2.300 kg do modelo. O resultado declarado é uma aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. Para preservar agilidade de berlinetta, o Luce adota a terceira geração da suspensão ativa da marca, com motores elétricos de 48V nos amortecedores e eixo traseiro direcional, tecnologia similar à usada no Purosangue.
A bateria estrutural tem 122 kWh, opera em 800 volts e foi integrada ao assoalho para baixar o centro de gravidade em 8 cm em relação às Ferraris a combustão. O sistema suporta recargas de até 350 kW, capazes de recuperar 300 km de autonomia em 20 minutos. O alcance total estimado é de 530 km.
A Ferrari também descartou sons artificiais. Em vez disso, instalou acelerômetros diretamente no metal do eixo elétrico para captar vibrações reais, amplificadas para dentro da cabine como em uma guitarra elétrica. A produção e a entrega das primeiras unidades só ocorrerão após a revelação do design externo, prevista para o próximo trimestre, mantendo o Luce, por enquanto, parcialmente oculto.


































