O lançamento do edital para a construção do túnel submerso entre Santos e Guarujá representa um avanço para a mobilidade na Baixada Santista. Com investimento estimado em R$ 6 bilhões, a obra é aguardada há mais de um século e visa reduzir o tempo de deslocamento entre os municípios para cerca de um minuto e meio.
Pontos Principais:
O projeto prevê a ligação direta entre o cais do Outeirinhos, em Santos, e o distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Atualmente, as opções de travessia incluem a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, com percurso de aproximadamente 50 minutos, e a travessia de balsa, que pode levar de 20 minutos a duas horas, dependendo do fluxo de veículos e das condições marítimas.
A cerimônia de lançamento do edital contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O evento marca a parceria entre os governos estadual e federal para viabilizar a obra por meio de uma parceria público-privada (PPP), com financiamento dividido entre ambas as esferas e a iniciativa privada.
O túnel terá 870 metros submersos, com profundidade de 21 metros em relação ao nível do mar. A estrutura contará com seis faixas de rolamento, sendo três para cada sentido, e uma delas adaptável ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Além da passagem de veículos, o projeto prevê a inclusão de uma área específica para ciclistas e pedestres. A expectativa é de que aproximadamente 150 mil pessoas utilizem o túnel diariamente, aumentando a eficiência da mobilidade urbana na região.
Os estudos sobre a viabilidade da obra estão disponíveis para consulta pública no site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), por meio do processo 195/2024. A previsão é que o túnel esteja concluído até 2028.
O objetivo da obra é reduzir o tempo de deslocamento e oferecer uma alternativa eficiente para os moradores e turistas que utilizam as balsas diariamente. Atualmente, cerca de 78 mil pessoas e mais de 20 mil veículos realizam a travessia entre Santos e Guarujá.
Com a implantação do túnel, a expectativa é de que o deslocamento seja reduzido para menos de dois minutos, eliminando as longas esperas nas balsas e diminuindo o impacto do tráfego na rodovia.
A construção do túnel também trará mudanças na infraestrutura portuária. O projeto prevê ajustes no calado dos navios que transitam pelo Porto de Santos, garantindo que a navegação na região não seja impactada.
A decisão sobre a responsabilidade pelo edital foi definida em reunião entre o presidente Lula e o governador Tarcísio de Freitas. O entendimento entre as partes permitiu que o governo estadual assumisse a condução do processo, com apoio do governo federal.
A obra será financiada por meio de uma parceria público-privada, com a divisão dos custos entre os governos estadual e federal e a participação da iniciativa privada. O projeto está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Programa de Parcerias de Investimento (PPI) do estado de São Paulo.
O governador Tarcísio destacou que a proposta do estado para a condução do edital foi aceita pelo governo federal por ser a opção mais viável para acelerar a execução do projeto. Segundo ele, a obra representa um avanço significativo para a infraestrutura da Baixada Santista.
Com o lançamento do edital, as empresas interessadas poderão apresentar suas propostas para a execução da obra. A expectativa é de que as fases de licitação e contratação sejam concluídas nos próximos meses.
O projeto prevê que a construção do túnel seja iniciada ainda em 2025, com previsão de conclusão em até três anos. Durante esse período, serão realizadas obras de infraestrutura para adaptação do tráfego na região e implementação dos acessos ao túnel.
A concessão do Canal do Porto de Santos também faz parte do projeto, visando a melhoria do calado para garantir a segurança da navegação na região. A medida será acompanhada por estudos técnicos e ambientais conduzidos por órgãos reguladores.
A construção do túnel submerso entre Santos e Guarujá representa um avanço para a infraestrutura de transporte do estado de São Paulo. A obra tem potencial para transformar a mobilidade na Baixada Santista, reduzindo o tempo de deslocamento e melhorando a conexão entre os municípios.
O projeto também levanta desafios, como o impacto ambiental da construção e as questões relacionadas ao tráfego portuário. O governo afirma que todas as medidas necessárias para minimizar os impactos serão adotadas, seguindo padrões internacionais de engenharia.
A expectativa é de que a obra seja um marco na infraestrutura viária do Brasil, sendo o primeiro túnel submerso do país e o maior da América Latina. O projeto faz parte de um conjunto de investimentos voltados para o desenvolvimento da região e a melhoria do transporte público.
Fonte: CNN, Cartacapital e G1.