Teste da moto Honda XL750 Transalp expõe equilíbrio no uso misto e cortes exigidos no Brasil

Testada em Santa Catarina, a nova Transalp entregou boa ciclística, eletrônica avançada e consumo entre 13 e 16 km/l, ficando entre a NX500 e a Africa Twin na linha Honda.
Publicado por em Honda Motos dia
Teste da moto Honda XL750 Transalp expõe equilíbrio no uso misto e cortes exigidos no Brasil

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A Honda XL750 Transalp voltou ao mercado brasileiro em um teste prático que colocou a moto na chuva, na terra e no asfalto de Santa Catarina, cenário escolhido pela própria fabricante para apresentar a quarta geração do modelo, agora posicionada abaixo da Africa Twin e acima das trails médias convencionais.

O dado que abriu a conversa foi a potência. A versão brasileira chega com 69,3 cv e 7,04 kgfm de torque extraídos do motor bicilíndrico de 755 cm³, cerca de 20 cv a menos que a configuração europeia. A decisão, segundo a Honda, está ligada às regras nacionais de ruído, que exigiram ajuste na curva de potência e limitação do giro máximo a 7.000 rpm. O impacto aparece no papel, mas se dilui no uso cotidiano, onde a entrega de torque em baixa e média rotação domina a experiência.

O conjunto ciclístico reforça essa leitura. Com peso seco de 193 kg, tanque de 16,6 litros e rodas raiadas de 21 polegadas na dianteira e 18 na traseira, a Transalp mostrou facilidade de condução mesmo em piso escorregadio. As suspensões de longo curso, com ajuste de pré-carga na dianteira e sete níveis na traseira, trabalharam com previsibilidade em trilhas enlameadas e em trechos de serra, onde a moto manteve estabilidade e respostas rápidas de direção.

A eletrônica é parte central do pacote. Quatro modos de pilotagem pré-configurados, Standard, Sport, Rain e Gravel, além de dois personalizáveis, ajustam potência, freio-motor, controle de tração e ABS. No modo Gravel, o sistema permite maior tolerância ao deslizamento, mantendo o ABS menos intrusivo. A possibilidade de desligar o ABS traseiro fica restrita aos modos configuráveis, escolha alinhada à segurança exigida pela homologação brasileira.

O consumo real apareceu como ponto de atenção. Em uso misto, com trechos de terra, chuva e asfalto, a média variou entre 13 e 16 km/l, abaixo dos 21,5 km/l divulgados em testes padronizados. O motor ainda em amaciamento e o ritmo imposto pelo percurso ajudam a explicar a diferença, mas o número registrado no painel contrasta com a expectativa criada pelo discurso oficial.

No conforto, surgem concessões claras. A bolha fixa, sem ajuste, gerou ruído perceptível em velocidade de estrada. O assento, inicialmente acolhedor, revelou firmeza excessiva após cerca de 10 km rodados. A tomada USB-C, posicionada sob o banco, exige improviso para quem precisa carregar o celular durante a pilotagem. No painel digital, completo em informações, a ausência de conectividade com smartphone diferencia negativamente o modelo nacional da versão europeia.

A comparação inevitável com a Yamaha Ténéré 700 ajuda a entender o posicionamento. A Yamaha segue mais próxima de uma trail raiz, com foco declarado no off-road e menor dependência de eletrônica. A Transalp responde com mais tecnologia, conforto urbano e versatilidade, especialmente para quem alterna cidade, estrada e terra leve no mesmo roteiro.

O preço público sugerido de R$ 65.545 coloca a Transalp em um território competitivo, reforçado por três anos de garantia, assistência em países da América Latina e uma lista extensa de acessórios originais, que inclui malas, protetores e para-brisa alto. Em cidades como São Paulo e Rio, o custo de seguro varia conforme perfil e CEP, mas cotações iniciais em Santa Catarina indicaram valores abaixo do esperado para o segmento.

Pablo Silva
Pablo Silva
Especialista em jornalismo automotivo, analisa carros com olhar técnico e paixão por motores. Produz reportagens exclusivas e detalhadas para o Carro.Blog.Br.