Scania 770 S virou notícia ao ser convertido em um motorhome de luxo avaliado em R$ 3,3 milhões, unindo 770 cv de potência a uma estrutura residencial completa para longas viagens.
Quando o Scania 770 S para, engata o freio e o slide-out começa a se mover, o impacto não é visual, é mental. Em poucos segundos, a estrada vira quintal e um volume que parecia apenas um caminhão se transforma em 45 m² de área habitável. Não há cerimônia, não há espetáculo, só a constatação silenciosa de que alguém decidiu morar onde normalmente se passa correndo.
Esse choque inicial ajuda a entender por que esse Scania 770 S virou conhecido como a “casa mais potente do Brasil”. A potência de 770 cv e o torque de 377,3 kgfm continuam ali, intactos, mas o uso mudou completamente o significado desses números. Eles não servem para carga ou ranking técnico, servem para empurrar uma casa inteira por qualquer rota sem hesitação.
Nada nesse motorhome nasceu por impulso. O projeto levou 2 anos para sair do papel e custou R$ 3,3 milhões, um valor que não se explica apenas pelo acabamento ou pelos equipamentos. Ele reflete o tipo de escolha que não cabe em catálogo. Em vez de adaptar um motorhome ao limite da estrada, os proprietários partiram do limite mecânico de um caminhão e construíram a vida ao redor dele.
Ao entrar, a sensação é menos de veículo e mais de rotina pronta. O quarto não tenta parecer maior do que é, simplesmente funciona. Há beliche, cama que vira casal, televisão posicionada para uso real e circulação que não exige contorcionismo. A sala conversa com a cozinha principal, enquanto uma segunda cozinha menor resolve o que normalmente vira improviso em viagens longas. O banheiro não pede concessões, entrega o básico com dignidade e acabamento coerente com o restante do projeto.
Do lado de fora, uma máquina lava-e-seca de 12 kg muda completamente a lógica de estadia. Não é um detalhe, é o tipo de solução que define se a viagem dura dias ou meses. O toldo retrátil elétrico cria sombra imediata, transforma o entorno e amplia o uso do espaço sem depender de camping estruturado.
Autonomia aqui não é discurso, é dado concreto. O reservatório de água comporta 1.000 litros, volume que elimina a ansiedade por abastecimento constante. Energia vem de um gerador Cummins a diesel, com 8 kW, suficiente para sustentar a casa em funcionamento contínuo sem sacrificar silêncio ou conforto interno.
Conectividade deixou de ser luxo e passou a ser ferramenta básica, segundo o AutoEsporte. A presença da Starlink garante internet estável mesmo em regiões onde a estrada termina antes do sinal de celular. Trabalhar, se informar, falar com o mundo, tudo acontece sem que o lugar imponha limites.
Curiosamente, é ao sentar na cabine que o projeto revela sua maturidade. Nada foi descaracterizado. O posto de comando segue sendo de caminhão, com ergonomia, visibilidade e postura de quem encara longas distâncias. A diferença aparece quando o dia acaba. Não há busca por hotel, não há pressa para chegar a um ponto específico. Basta parar.