O Mitsubishi Eclipse Cross 2025 entra na garagem chamando atenção antes mesmo de o motor ligar, com aquela traseira recortada, lanternas altas e uma silhueta que ainda hoje divide opiniões na rua. É o tipo de carro que você reconhece de longe, mas basta sentar ao volante para entender a primeira quebra de expectativa, apesar do nome, não há nada ali que remeta ao Eclipse esportivo clássico. O que existe é um SUV médio de uso familiar, com cinco portas, porta-malas de 473 litros e uma proposta bem mais doméstica do que emocional.

Essa leitura fica clara na primeira semana de convivência. O 1.5 turbo de 165 cv e 25,5 kgfm empurra o carro com correção, não com entusiasmo. O câmbio CVT segura giro quando você pede força, entrega o avanço com atraso calculado e deixa evidente que o Eclipse Cross 2025 não foi feito para pressa. O 0 a 100 km/h em 11,1 s não constrange, mas também não empolga. Ele anda o suficiente para não atrapalhar, e isso já diz muito sobre o lugar que esse Mitsubishi ocupa no mercado de usados.

Na rotina urbana, o que pesa é o tamanho. Com 4,545 metros de comprimento e entre-eixos de 2,67 metros, ele exige atenção em vaga apertada, mas devolve conforto real para quem vai atrás. Criança entra e sai sem contorcionismo, adulto viaja sem joelho colado e o porta-malas resolve viagem curta sem discussão. É aí que o Eclipse Cross começa a fazer sentido, não pela promessa do nome, mas pela entrega prática. O consumo acompanha essa lógica, 10,9 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada, sempre com gasolina. Com tanque de 63 litros, dá para rodar perto de 700 km sem transformar o trajeto em exercício de contenção.
As versões mudam bastante a experiência, e isso aparece rápido no uso. As configurações mais simples entregam o básico e deixam uma sensação incômoda de custo alto para o que oferecem. Já nas versões HPE-S, o carro muda de postura, não em desempenho, mas em convivência. Entram assistências como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática, alerta e correção de faixa, ponto cego e tráfego cruzado traseiro. Esses sistemas não fazem barulho, mas reduzem cansaço e aumentam previsibilidade, especialmente em viagens longas. A versão com tração integral S-AWC é outra história, não transforma o Eclipse Cross em aventureiro, mas traz estabilidade extra em piso ruim e chuva forte, algo que o motorista sente no volante.
O interior, porém, denuncia a idade do projeto. O acabamento é correto, nunca impressionante. A multimídia resolve quando funciona, e aí está um ponto sensível. Relatos de proprietários se repetem em torno de falhas no sistema, ruídos internos e teto solar que vira fonte de barulho ou dor de cabeça com vedação. Não são casos isolados o suficiente para ignorar. São recorrentes o bastante para exigir cautela na compra, especialmente em unidades fora da garantia.

Manter o Eclipse Cross 2025 também não é assunto leve. Existe referência de revisões até 60.000 km em R$ 7.528 e seguro estimado em R$ 6.574. Na prática, isso coloca o carro numa faixa de custo que assusta quem chega esperando manutenção de SUV compacto. Ele cobra preço de médio, e cobra todo mês. Quem entra sem essa conta feita costuma se frustrar rápido.

Na segurança, o pacote agrada nas versões certas, com sete airbags e assistências que realmente atuam. Há referência de bom desempenho em testes de proteção de adulto, o que reforça a sensação de carro estruturalmente sólido. Isso ajuda a explicar por que tantas famílias ainda olham para ele, mesmo com concorrência mais moderna no papel.
O Eclipse Cross 2025 aparece no mercado de usados hoje porque ficou espremido entre dois mundos. Custa mais que um SUV compacto bem equipado e entrega menos tecnologia que alguns rivais médios mais novos. Ainda assim, encontra comprador quando a prioridade é espaço, posição de dirigir alta, visual diferente e motor turbo confiável o suficiente para não virar dor de cabeça diária. Ele funciona para quem quer um carro familiar com presença, aceita um interior menos sofisticado e entra consciente dos custos. Compra errada por impulso para quem busca esportividade ou tecnologia máxima pelo preço.

Quando comparado a Jeep Compass e Toyota Corolla Cross no mercado de usados, o Eclipse Cross perde em modernidade percebida, mas ganha em espaço de bagagem. Diante de modelos atuais como Honda HR-V ou mesmo opções chinesas bem equipadas na mesma faixa de preço, ele só se sustenta quando o comprador sabe exatamente o que está levando. O Eclipse Cross 2025 não engana ninguém por muito tempo. Decisão que cobra coerência.