No fim do expediente, quando a caçamba ainda está suja de cimento seco e o banco traseiro leva duas pessoas cansadas, a Strada Working 1.4 Cabine Dupla 2012 revela por que continua aparecendo nos classificados. Ela não está ali porque alguém quis trocar de carro. Está ali porque já foi espremida até onde deu e ainda assim não morreu. No mercado de usados brasileiro, esse detalhe pesa mais do que qualquer ficha técnica bem impressa.
“Comprar uma Strada Working 1.4 Cabine Dupla 2012 usada faz sentido quando o objetivo é trabalho diário com carga leve e previsibilidade mecânica. O motor é simples, aguenta uso intenso e o consumo não assusta. Em troca, o comprador precisa aceitar desempenho fraco com peso, conforto limitado e checar bem suspensão, embreagem e elétrica, que costumam sofrer em carros muito usados.”
Esse ano-modelo marca um momento específico da Strada. A cabine dupla já não era novidade, mas ainda carregava a promessa de resolver dois problemas ao mesmo tempo. Levar gente e levar carga. Na prática, a conta nunca fecha totalmente. Com quatro lugares, a caçamba cai para 580 litros e a carga útil fica em 650 kg. É suficiente para o trabalho leve, mas longe do que muitos donos tentaram extrair. É aí que surgem as marcas invisíveis que definem o valor real de cada unidade.
O motor Fire 1.4 entrega 86 cv no etanol e 85 cv na gasolina. Na cidade, vazio, ele não passa vergonha. A resposta é correta até o trânsito apertar ou o carro sair carregado. Basta colocar peso atrás para o tempo de 13,2 s até os 100 km/h deixar de ser número e virar sensação constante. Em subidas ou retomadas, o motorista aprende rápido a antecipar manobras. Na estrada, a máxima declarada de 164 km/h existe, mas o conforto psicológico acaba bem antes disso.
O consumo ajuda a explicar por que tanta gente aceita essas limitações. Rodando com gasolina, faz cerca de 10,3 km/l na cidade e 11,2 km/l na estrada. No etanol, cai para 6,3 km/l e 7,6 km/l. Não impressiona, mas é previsível. Para quem depende do carro para trabalhar, previsibilidade costuma valer mais do que desempenho ocasional.
A suspensão traseira entrega o caráter do projeto. Com eixo rígido e mola parabólica, ela aceita carga com dignidade, mas cobra cada buraco quando a caçamba está vazia. O carro parece mais confortável quando está trabalhando do que quando está ocioso. Não é defeito escondido, é escolha clara. Quem espera rodar como um hatch compacto se frustra rápido. Quem entende o acordo, segue em frente.
Dentro da cabine, o tempo não foi maquiado. Plásticos duros, desenho simples e ergonomia funcional. Tecnologia embarcada depende muito do pacote escolhido em 2012. Algumas unidades têm ar-condicionado, vidros elétricos e rádio básico. Outras não têm quase nada. Segurança segue a mesma lógica. Airbags e ABS não eram obrigatórios naquele ano, e muitas Fiat Strada 2012 usadas hoje circulam sem esses itens. Ignorar isso é erro comum de compra.
Os problemas relatados seguem o padrão de uso severo. Suspensão traseira cansada denuncia sobrecarga frequente. Embreagem sofre no trânsito pesado. Falhas elétricas em vidros, travas e partida a frio aparecem com regularidade. Nada disso é surpresa para quem conhece o carro. O perigo está em fingir que não existe.
A opinião dos donos raramente é neutra. Quem comprou para trabalhar costuma defender o carro com convicção. Aguenta o dia, aceita abuso e não quebra fácil. Quem tentou usá-la como carro de família costuma se cansar rápido. O espaço traseiro é justo, o conforto é limitado e o desempenho cobra paciência. A picape não tenta agradar os dois públicos, e isso fica claro depois de alguns meses de convivência.
No mercado, ela cruza com Saveiro, Montana antiga, Courier e Hoggar. Nenhuma entrega exatamente a mesma combinação de cabine dupla e custo. É por isso que a Strada Working 2012 ainda aparece tanto. Não porque seja a melhor, mas porque resolve um problema específico melhor do que as alternativas disponíveis na mesma faixa.
Hoje, faz sentido para quem realmente precisa de caçamba, aceita viver sem refinamento e sabe avaliar sinais de uso pesado antes de fechar negócio. Para quem quer versatilidade sem concessões, ela vira arrependimento anunciado. A Strada Working 1.4 Cabine Dupla 2012 não engana ninguém. Ela cobra entendimento.