Uma publicação viral nas redes sociais reacendeu o debate sobre o preço dos carros elétricos no Brasil. O foco da vez é o BYD Dolphin Mini GL, modelo 100% elétrico que estaria sendo vendido por R$ 99 mil. A informação é parcialmente verdadeira: esse valor é exclusivo para pessoas com deficiência (PCDs) e taxistas, que têm direito a isenções fiscais. Para o público em geral, o preço sugerido é de R$ 118.990.
A postagem, feita no dia 20 de outubro na plataforma X (antigo Twitter), acumulou mais de 277 mil visualizações. O texto afirmava: “Atenção: BYD anuncia o Dolphin Mini GL por apenas R$ 99 mil, tornando-se o modelo mais barato da marca”. Embora o valor citado exista, a publicação omitiu as condições que permitem a redução de preço, criando uma percepção equivocada entre consumidores.
Segundo a assessoria da BYD, o post está correto quanto ao número, mas não explica que se trata de uma condição específica de venda direta, com descontos variáveis conforme o perfil do comprador e os benefícios fiscais aplicáveis.
A BYD esclareceu que o preço público sugerido do Dolphin Mini é de R$ 118.990. Já os descontos se aplicam da seguinte forma:
Ou seja, o carro pode sim custar menos de R$ 100 mil, mas apenas dentro das regras de isenção fiscal. Para o consumidor comum, sem direito a benefícios, o valor se mantém próximo de R$ 120 mil.
Para ter acesso aos descontos, o comprador precisa se enquadrar nas categorias específicas e seguir as etapas formais exigidas pelo governo. No caso de PCDs, é necessário solicitar a isenção do IPI por meio do Sistema de Gestão de Benefícios Fiscais (SISEN), do governo federal. Já o ICMS e o IPVA são de responsabilidade dos estados, e cada um possui suas próprias regras.
Essas variações regionais explicam por que o mesmo modelo pode ter preços diferentes dependendo do estado.
O BYD Dolphin Mini GL é um elétrico urbano projetado para ser o mais acessível da marca no país. Mesmo sendo a versão de entrada, traz um conjunto mecânico moderno.
A BYD reforça que o Mini é o modelo mais barato de seu portfólio desde o lançamento em fevereiro de 2024, agora fabricado em Camaçari (BA), na antiga planta da Ford.
O preço divulgado gerou grande repercussão, justamente por romper a barreira simbólica dos R$ 100 mil para um carro elétrico. Entretanto, o caso reforça um dilema comum no mercado nacional: o abismo entre o preço de tabela e o preço final com incentivos fiscais.
O Dolphin Mini se destaca como um marco para a BYD no segmento de elétricos compactos, mas seu apelo popular esbarra nas restrições de acesso aos descontos. O consumidor médio, sem direito às isenções, ainda enfrenta um valor consideravelmente superior.
A viralização da postagem exemplifica como a falta de contexto pode distorcer informações legítimas. A ideia de um elétrico por R$ 99 mil cria expectativa de democratização, mas, sem explicar as condições de elegibilidade, acaba gerando frustração. Para marcas e consumidores, a clareza sobre impostos e benefícios torna-se fundamental para manter a confiança no mercado.
Antes de se animar com o preço divulgado, o consumidor precisa avaliar:
Esses fatores podem alterar significativamente o custo-benefício final do modelo.
O BYD Dolphin Mini GL por menos de R$ 100 mil é uma realidade — mas não para todos. O valor só se aplica a compradores com isenções fiscais específicas, como PCDs e taxistas. Para o público geral, o preço segue acima de R$ 118 mil, o que ainda o mantém como o elétrico mais acessível da marca no país, mas distante da promessa viral que movimentou as redes sociais.
A discussão expõe uma lacuna entre marketing e realidade de mercado: enquanto a BYD aposta na produção nacional e em incentivos fiscais para ampliar o acesso aos elétricos, o consumidor comum ainda enfrenta barreiras tributárias que tornam a transição para a mobilidade elétrica um privilégio de poucos.