O BYD King completa um ano no mercado brasileiro e já ocupa uma posição estratégica entre os sedãs médios. Enquanto o Toyota Corolla segue como líder absoluto em volume, com cerca de 3 mil unidades mensais, o modelo chinês conquistou espaço ao registrar mais de mil vendas por mês. No recorte dos híbridos, a situação se inverte: o King emplaca quase três vezes mais que a versão eletrificada do Corolla, vendida em média a 400 unidades mensais.
A estratégia da BYD foi clara desde o início: oferecer tecnologia avançada por um preço mais agressivo. A versão de entrada GL parte de R$ 169.990, enquanto a configuração GS custa R$ 175.990. Esses valores já vinham sendo praticados nas concessionárias, mas foram oficializados na linha 2026. Curiosamente, o sedã chega mais barato do que a tabela anterior, que previa R$ 191.900, mesmo após a inclusão de novos equipamentos. A marca justifica a redução como um ajuste de mercado antes da produção nacional em Camaçari, prevista para o próximo ano.
Entre as novidades está o aguardado pacote de assistências de condução, até então uma das ausências mais criticadas no modelo. O conjunto ADAS inclui controle de cruzeiro adaptativo com Stop & Go, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de faixa e alerta de ponto cego. Recursos que colocam o King em patamar semelhante aos rivais mais caros. Além disso, a lista de itens segue extensa, com multimídia giratória de 12,8 polegadas, painel digital de 8,8 polegadas, chave presencial, bancos elétricos, iluminação interna configurável, ar-condicionado de duas zonas e câmera 360º.
No conjunto mecânico, a BYD fez ajustes importantes. O motor a combustão 1.5 litro a gasolina teve a potência reduzida de 110 cv para 98 cv, e o torque recuou de 13,8 para 12,5 kgfm. Apesar disso, o desempenho combinado não mudou. A sincronia entre o motor térmico e o elétrico mantém 235 cv e 33,1 kgfm, suficientes para levar o sedã de zero a 100 km/h em 7,3 segundos, com velocidade máxima de 185 km/h. O segredo está na calibração do sistema híbrido, que equilibra suavidade em uso urbano e vigor em acelerações mais fortes.
A bateria Blade, com 18,3 kWh, garante recarga rápida em corrente contínua de até 25 kW e em corrente alternada de 6,6 kW. Nesse padrão, são necessários 90 minutos para elevar a carga de 30% a 80%. A autonomia no modo puramente elétrico caiu de 80 para 62 km, mas a marca assegura que a autonomia total continua em torno de 1.200 km, combinando o motor elétrico com o tanque de 48 litros de gasolina. O Inmetro classificou o modelo com nota A, registrando consumo de 44,2 km/l na cidade e 36,7 km/l em rodovias, resultados que superam rivais tradicionais.
Na prática, o sedã oferece um equilíbrio notável entre estabilidade e conforto. A bateria instalada no assoalho contribui para baixar o centro de gravidade, aumentando a rigidez torcional e reduzindo a rolagem em curvas. O isolamento acústico se mostra eficiente, quase imperceptível quando o motor a combustão entra em funcionamento. Os bancos dianteiros são ergonômicos, há bom espaço traseiro e o porta-malas leva 450 litros. O acabamento, no entanto, ainda reflete a origem chinesa em alguns pontos, principalmente no couro sintético, que transmite sensação menos refinada.
O design segue a linguagem Ocean da BYD, já vista nos modelos Dolphin e Seal, marcada por linhas suaves e sinuosas. A dianteira tem frisos horizontais que reforçam a identidade e a barra de LED dá aspecto moderno. O entre-eixos de 2,72 metros garante bom espaço interno e a carroceria de 4,78 metros posiciona o King como um sedã médio robusto. A avaliação especializada atribuiu notas altas: desempenho 9, estabilidade 8, interatividade 9, consumo 10, conforto 8, tecnologia 9, habitabilidade 9, acabamento 8, design 8 e custo-benefício 10, totalizando 88 pontos em 100 possíveis.
O conjunto final posiciona o King como rival indigesto para Corolla e Honda Civic, ambos mais caros e com menos autonomia elétrica. A BYD aposta no custo-benefício aliado à eficiência de seu sistema híbrido plug-in, capaz de entregar economia real em uso urbano sem abrir mão do desempenho. Nesse cenário, o modelo se consolida como referência entre os sedãs médios eletrificados vendidos no Brasil.