A fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, inicia oficialmente suas operações no dia 26 de junho de 2025, com a montagem do Dolphin Mini como primeiro modelo da linha. O evento marca um passo decisivo na estratégia da montadora chinesa no Brasil, que inclui planos robustos para o desenvolvimento de carros híbridos plug-in com tecnologia flex-fuel. Essa iniciativa visa explorar o uso do etanol como fonte viável de energia veicular, aproveitando a estrutura de produção de biocombustível amplamente consolidada no país.
Pontos Principais:
A expectativa inicial era iniciar as operações ainda em 2024, mas uma série de contratempos atrasou o cronograma. Entre os principais entraves está uma grave denúncia feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que identificou 163 trabalhadores chineses vivendo em condições degradantes. Alojamentos superlotados, retenção de passaportes e salários parciais enviados à China resultaram em interdições e no rompimento do contrato com a empresa responsável pelas obras.
Além das questões trabalhistas, chuvas intensas e problemas logísticos com o desembaraço de equipamentos no Porto de Salvador também contribuíram para o atraso. A liberação de máquinas importadas esbarrou em entraves fiscais e travou parte da operação. Com isso, a previsão de operação plena da fábrica foi revista: o funcionamento total deve ocorrer apenas em dezembro de 2026, conforme informações do governo baiano.
Ainda assim, a BYD reforça o compromisso com o mercado brasileiro. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da marca, destacou a importância do etanol como uma alternativa viável e sustentável, ressaltando que os modelos híbridos plug-in com motor flex devem estrear ainda no segundo semestre de 2025. A empresa pretende fabricar veículos que valorizem o uso do etanol como combustível de alto desempenho e custo-benefício competitivo frente à gasolina e à eletricidade.
Embora o executivo não tenha confirmado qual será o primeiro modelo a adotar a tecnologia, o Song Pro é o candidato mais provável. O SUV já foi mencionado em ocasiões anteriores como uma aposta da marca e se encaixa no perfil do consumidor que a BYD busca atender com esse novo sistema de propulsão. A combinação de motor elétrico recarregável com motor a combustão flex promete unir eficiência energética à praticidade do abastecimento nacional.
A produção inicial será no regime SKD, em que os veículos chegam em subconjuntos parcialmente montados, como carrocerias e motores, e são finalizados na linha baiana. Esse modelo de produção vai durar cerca de 12 meses, até a nacionalização completa das operações. A BYD acredita que a medida é estratégica para garantir agilidade no início das atividades enquanto consolida sua presença industrial no país.
O ponto que mais gera expectativa no público — a possível redução de preços com a produção nacional — foi descartado. Baldy afirmou que não haverá aumentos, mas também não indicou queda nos valores. A prioridade é manter os preços estáveis e construir uma base sólida de produção local. O impacto da nova planta poderá ser sentido gradualmente, à medida que a tecnologia híbrida-flex se consolida e novos modelos ganhem espaço no mercado brasileiro.