Há momentos em que um carro precisa de mais do que uma simples atualização para continuar relevante. É o caso dos SUVs da Chery. Em um mercado dominado por nomes consolidados como Jeep Compass, Hyundai Creta e Toyota Corolla Cross, o Tiggo 5x e o Tiggo 7 entram em nova fase para recuperar fôlego e mostrar que ainda têm espaço entre os utilitários mais desejados do país.
O movimento não é discreto. Registros no Instituto Nacional da Propriedade Industrial revelam as novas linhas dos dois modelos, antecipando um facelift que aproxima o design brasileiro ao padrão global da marca. E o momento da revelação não poderia ser mais simbólico: o Salão do Automóvel de São Paulo, previsto para novembro, deve ser o palco onde a Caoa Chery reafirma sua ambição de se manter entre as principais marcas de SUVs nacionais.
O Tiggo 5x, que na China atende pelo nome Tiggo 4, foi o primeiro a ganhar destaque nos documentos. O SUV compacto chega com faróis mais afilados, grade ampliada e para-choques integrados em uma proposta mais horizontal, que transmite robustez. A traseira também mudou, com lanternas interligadas e uma faixa luminosa que reforça a sensação de largura. O visual agora segue o mesmo DNA do Tiggo 8, o topo de linha da montadora, aproximando o 5x de rivais que apostam na mesma estratégia de identidade familiar — como a Jeep, com seus Compass e Commander.
Por dentro, o salto é maior do que o das fotos pode sugerir. O painel foi redesenhado e agora traz duas telas de 10,25 polegadas, integrando quadro de instrumentos e multimídia em um mesmo bloco, algo que até pouco tempo era exclusividade de marcas premium. As saídas de ventilação horizontais e os novos materiais de acabamento reforçam o esforço da fabricante em elevar o padrão percebido de qualidade, um ponto em que o público brasileiro é cada vez mais exigente.
A mecânica permanece familiar. O motor 1.5 turbo flex de 150 cv e 21,4 kgfm de torque segue em parceria com o câmbio CVT que simula nove marchas. É um conjunto que privilegia suavidade e consumo, ainda que o desempenho não impressione tanto quanto o de concorrentes turbinados de maior cilindrada. Em compensação, o Tiggo 5x aposta na entrega linear e no conforto em uso urbano, seu território natural.
O Tiggo 7, posicionado um degrau acima, repete a receita visual. O SUV médio ganhou nova grade com elementos brilhantes, faróis herdados do Tiggo 8 Pro e lanternas traseiras unidas por uma faixa de LED. O conjunto ficou mais esportivo, e o para-choque redesenhado amplia a sensação de largura e presença. Essa uniformização visual é clara tentativa de reforçar o DNA global da Chery e aproximar o produto brasileiro dos padrões adotados em mercados mais maduros.
O interior também foi revisto. O painel tem linhas mais limpas e horizontais, o console central ficou mais alto e a manopla de câmbio ganhou novo formato, mais ergonômico. O quadro de instrumentos digital agora divide a moldura com a central multimídia, em uma solução parecida com a vista em modelos híbridos, como o Tiggo 7 Pro PHEV vendido na China. O resultado é uma cabine mais tecnológica e coerente com a proposta de um SUV médio moderno.
No campo técnico, não há confirmação de mudanças de motorização, mas fontes ligadas à marca indicam que o foco está na eficiência. O motor 1.6 turbo de 187 cv deve continuar nas versões principais, enquanto o híbrido leve pode ser introduzido futuramente, acompanhando o movimento global da Chery em direção à eletrificação.
Com esses ajustes, a Caoa Chery busca mais do que um simples rejuvenescimento estético. A marca tenta consolidar sua imagem como fabricante de SUVs bem-acabados e acessíveis, reduzindo a distância em percepção frente a rivais tradicionais. O novo visual, o interior aprimorado e o compromisso com atualização constante formam uma mensagem clara: os Tiggo 5x e Tiggo 7 querem continuar no jogo — e, pelo que se vê nos registros, têm bons argumentos para isso.
Fonte: AutoEsporte.