A General Motors (GM) avança em sua estratégia de eletrificação com o anúncio de que planeja lançar uma nova família de veículos elétricos de baixo custo, tomando a base do modelo Bolt 2027 como ponto de partida. Segundo o presidente da companhia, Mark Reuss, “o que vem depois disso, seja chamado de Bolt ou não, será uma família de produtos de baixo custo”. Esta linha de atuação busca ocupar lacunas no mercado em que a montadora ainda não está presente.
A proposta, como explicitado pela empresa, é usar uma combinação de tecnologia de bateria mais moderna e arquitetura revisitada para reduzir custos e ampliar a competitividade diante de rivais já estabelecidos. A GM destaca que a nova célula de energia — denominada LMR (lítio com alto teor de manganês) — promete densidade energética até 33 % superior às atuais baterias LFP. Em parceria com a LG Energy Solution, a GM afirma ter superado desafios como durabilidade e está pronta para utilizar a tecnologia.
O modelo 2027 do Bolt marca essa guinada: embora mantenha o tamanho e o posicionamento de um hatch ou SUV compacto, a aposta está em reduzir o custo de produção e, consequentemente, o preço final ao consumidor. O anúncio enfatiza que haverá “algumas coisas diferentes, para gostos e estilos diferentes”, o que indica a adoção de múltiplas carrocerias e segmentos dentro desta nova linha.
A utilização da célula LMR se insere no contexto de produção global de baterias, em especial por tratar-se de manganês — um metal mais abundante e acessível que o níquel — o que favorece redução de custos sem sacrificar autonomia. Além disso, a GM tem sido reconhecida por adequar seus esforços tecnológicos: por exemplo, a companhia foi condecorada com o prêmio “Battery Innovation of the Year” por conta de sua parceria com a LG Energy Solution no desenvolvimento de LMR.
Entretanto, a transição não será imediata para todos os componentes. Para o Bolt 2027, a GM confirmou que utilizará, num primeiro momento, baterias importadas, ainda sob tecnologia LFP, vindas da China — uma solução de curto prazo até que a produção doméstica nos EUA entre plenamente em operação. Esse movimento reforça o desafio logístico e de cadeia de suprimentos ao qual se somam pressões regulatórias e comerciais.
Para o mercado brasileiro e global, esse plano da GM evidencia uma curva de aprendizagem e um ajuste estratégico: ao reverter o foco para veículos elétricos mais acessíveis, a companhia entende que o fator preço continuará sendo determinante para penetração em massa, sobretudo em mercados sensíveis aos custos de aquisição. A aposta é clara: reduzir o “gap” entre modelos premium e básicos, usando tecnologia que já amadureceu.
Diante desse cenário, resta observar como o preço final praticado nos Estados Unidos, os custos logísticos de importação ou produção local, e a aceitação dos consumidores vão se conjugar. A trajetória da GM sugere que não se trata apenas de lançar mais um EV, mas de inaugurar um capítulo em que a escala, o preço competitivo e a cadeia de baterias mais eficiente se tornam vetores estratégicos para a democratização da mobilidade elétrica.
Fonte: GM, Chevrolet e QuatroRodas.