Eles não usaram pilotos profissionais. Não teve astro da Fórmula 1, nem dublê de Hollywood. Quem pilotou os Corvettes que quebraram recordes em Nürburgring foram três engenheiros da própria Chevrolet. Sim, os caras que normalmente estão atrás de um monitor, ou testando suspensão em pátios de Michigan, colocaram capacete, luva e foram acelerar no Inferno Verde.
A ideia era simples e, ao mesmo tempo, absurda: levar três versões diferentes do mesmo carro — Z06, ZR1 e o inédito ZR1X — para a pista mais desafiadora do mundo, e registrar tempos oficiais de volta com cada uma delas. Tudo isso em uma única viagem e com carros de produção (com algumas adaptações exigidas pela pista, claro). Nenhuma montadora havia feito isso antes. A GM fez. E fez bonito.
O ZR1X, um monstro híbrido com tração integral e números que fariam um Lambo corar, cravou 6:49.275. Isso colocou o carro — e o engenheiro Drew Cattell, que estava ao volante — entre os mais rápidos da história da pista. Na frente de muito europeu metido a besta e, o mais importante, como o superesportivo americano mais rápido já registrado oficialmente. Com um detalhe: Drew não é piloto, é engenheiro.
O ZR1 tradicional também brilhou: 6:50.763 nas mãos de Brian Wallace, outro nerd de laboratório que virou piloto por um dia. E o Z06, mais “modesto”, cravou 7:11.826 com Aaron Link. Nada mal para um V8 naturalmente aspirado que ainda se apega ao velho charme do ronco alto e dos giros lá em cima. Os três engenheiros, juntos, somam 31 visitas ao circuito alemão. É o tipo de currículo que faz inveja em muito piloto profissional por aí.
A história virou um documentário — “Homegrown Speed: A Corvette Story” — com direito a bastidores, drama de bastidor, cenas épicas e provavelmente umas imagens com música de rock pesado ao fundo. Nada mais justo. Os Corvettes envolvidos não estão à venda na Europa, nem devem aparecer no Brasil, mas isso pouco importa. A ideia aqui não é vender carro, é deixar claro: a Chevrolet ainda sabe fazer barulho onde interessa.
Enquanto você lê isso, provavelmente um Corvette ZR1X continua como o carro americano mais rápido da história de Nürburgring. E não foi um piloto de contrato milionário que fez isso acontecer. Foram três engenheiros. Com cinto de seis pontos, braço firme e um baita orgulho no que construíram. Isso, sim, é a definição de “feito em casa”.
Fonte: Chevrolet.