A Fiat redesenha sua estratégia no segmento de compactos ao apresentar o Grande Panda com motorização a combustão. O modelo, que inicialmente havia sido pensado apenas como elétrico, ganhou alternativas mais acessíveis em meio a mudanças internas na Stellantis e no cenário regulatório europeu.
Com a saída de Carlos Tavares do comando do grupo no fim de 2024, abriu-se espaço para rever a linha de propulsores. O hatch recebeu primeiro uma configuração híbrida leve, semelhante à usada nos nacionais Pulse e Fastback, mas ainda insuficiente para atender à demanda de mercado. A virada veio com a decisão de incluir uma opção a gasolina.
O propulsor escolhido é um 1.2 de três cilindros da Peugeot, já conhecido do mercado brasileiro como Puretech entre 2016 e 2020. Na época, ficou marcado pela correia banhada a óleo e pelos custos de manutenção, além de ser gradualmente substituído pelos Firefly nacionais. No Grande Panda, o motor retorna com turbocompressor, entregando cerca de 100 cv e acoplado a câmbio manual de seis marchas.
A gama inclui três versões – Pop, Icon e La Prima – com preços a partir de 16.900 euros (cerca de R$ 108 mil), consideravelmente abaixo dos 23.900 euros cobrados pela versão elétrica de entrada. A lista de equipamentos é completa mesmo no modelo básico, trazendo painel digital, ar-condicionado, sensores de estacionamento e frenagem automática de emergência.
O papel do Grande Panda vai além de ser apenas uma alternativa de baixo custo. Confirmado pelo CEO Olivier Francois, o hatch é tratado como sucessor espiritual da família Palio, referência global da Fiat nos anos 1990 e 2000. Sua plataforma servirá de base para novos produtos, entre eles a próxima geração de Pulse, Fastback e até a Strada.
No Brasil, unidades de teste já circulam em Minas Gerais com carroceria camuflada derivada do Citroën C3, reforçando a conexão estrutural com a família C-Cubed. O comprimento de 3,99 metros e o entre-eixos de 2,54 metros aproximam o Panda do perfil de hatch compacto elevado, enquanto o design quadrado resgata a essência do modelo dos anos 1980 criado por Giorgetto Giugiaro.
Resta saber se a Fiat manterá o nome e o estilo europeu por aqui ou se repetirá a estratégia do C3, adaptando o carro para mercados emergentes. Independentemente da decisão, a expectativa é que o Grande Panda seja peça central da marca até o fim da década, atuando como referência global e também como elo para a renovação de sua linha de veículos no Brasil.
Fonte: Stellantis, Mobiauto e UOL.