O Honda Civic de oitava geração completa 20 anos em 2026 e, ao olhar para trás, é impossível não reconhecer o peso que o chamado New Civic teve quando apareceu no Brasil em 2006. Eu não precisei dirigir o carro para entender o impacto que ele causou: bastava ver a reação das pessoas nas concessionárias, nas ruas e nas capas de revista para perceber que a Honda havia mudado o jogo entre os sedãs médios.
Quando o modelo chegou, o choque visual foi imediato. O desenho fugia totalmente do padrão conservador da época, com linhas futuristas e um interior que parecia saído de um conceito de salão. O painel em dois níveis, a posição de dirigir mais baixa e a sensação de estar em algo “diferente” fizeram o Civic deixar de ser apenas mais um sedã para virar objeto de desejo. Era o tipo de carro que todo mundo comentava, mesmo quem não entendia de automóvel.
O que mais me chama atenção ao revisitar essa geração é como ela transmitia a ideia de avanço tecnológico e status ao mesmo tempo. O New Civic parecia maior, mais sólido e mais sofisticado do que os concorrentes diretos. Não era só um meio de transporte, era uma afirmação. Para muita gente, ele simbolizava a chegada a um novo patamar, seja profissional, seja financeiro. A Honda conseguiu fazer um carro que falava com razão e emoção ao mesmo tempo.
Durante o período em que ficou à venda, de 2006 a 2011, o Civic construiu uma imagem de consistência rara. Mesmo com o avanço de rivais e com a chegada de novos projetos, ele continuou sendo referência. O conjunto mecânico, com motor 1.8 flex, nunca foi tratado como esportivo, mas sempre foi visto como confiável, suave e adequado para quem queria conforto no dia a dia e tranquilidade em viagens. Essa combinação ajudou a manter o modelo valorizado por mais tempo do que o normal no segmento.
Ao conversar com donos ao longo dos anos, a percepção que se repete é a de um carro que envelheceu com dignidade. Mesmo depois de muito tempo de uso, o New Civic costuma ser descrito como inteiro, bem montado, com interior que resiste ao desgaste e mecânica que não assusta quando a manutenção é feita corretamente. Essa fama explica por que ele nunca desapareceu das ruas e por que continua despertando interesse no mercado de usados.
Hoje, olhando para essa geração com distanciamento, fica claro que o New Civic foi um divisor de águas. Ele redefiniu expectativas, elevou o padrão de design e ajudou a consolidar a imagem da Honda como marca que sabia unir confiabilidade e desejo. No mercado de usados, ainda é tratado como uma escolha segura e valorizada, mesmo com a idade avançando.
O New Civic permanece como referência não por nostalgia, mas porque entregou, na prática, o que prometeu em 2006: sensação de carro bem construído, visual marcante e a tranquilidade de um projeto que atravessou o tempo sem perder relevância. Um ícone que envelheceu bem.
No Brasil, o New Civic da oitava geração foi vendido entre 2006 e 2011, período em que consolidou sua imagem de sedã médio moderno, confiável e muito valorizado. Tabela Fipe de preços e versões do New Civic (Janeiro / 2026):