O Honda HR-V chega a 2026 mantendo o apelo visual e a imagem de confiabilidade, mas passa a ser cobrado com mais dureza por dois pontos que pesam cada vez mais na decisão de compra: espaço interno e tecnologia embarcada. No segmento mais disputado do mercado brasileiro hoje, só estilo não sustenta mais a liderança.
Quem dirige o HR-V percebe rápido que o carro continua agradável de conduzir, silencioso, com bom acerto de suspensão e acabamento correto. Mas também sente que o projeto já não acompanha o ritmo dos concorrentes que surgiram ou evoluíram nos últimos dois anos, especialmente quando o assunto é porta-malas, conectividade e assistência à condução no trânsito pesado.
O visual em estilo cupê, com teto mais baixo e traseira limpa, ainda chama atenção e agrada quem compra com os olhos. Faróis full LED, frente larga e lanternas interligadas dão ao HR-V uma aparência de categoria superior.
Só que esse desenho bonito tem custo prático. O espaço para quem vai atrás é apenas correto e o porta-malas é um dos menores do segmento, o que pesa no uso familiar e em viagens.
No dia a dia, a diferença de litros vira diferença de malas, carrinho de bebê ou compras do mês. O HR-V entrega 354 litros, enquanto rivais diretos já passaram dessa marca com folga.
| Modelo | Porta-malas |
|---|---|
| Honda HR-V | 354 litros |
| Volkswagen T-Cross | 373 litros |
| Hyundai Creta | 422 litros |
| Nissan Kicks | 432 litros |
O sistema Magic Seat ajuda na versatilidade, permitindo rebater e levantar os bancos de várias formas, mas não resolve a limitação de volume quando o carro está carregado com todos os ocupantes.
O pacote Honda Sensing continua sendo um diferencial em segurança, mas hoje já não é exclusividade. Rivais oferecem os mesmos recursos e, em alguns casos, vão além.
O piloto automático adaptativo sem função Stop & Go é um exemplo claro de defasagem no uso urbano. Em engarrafamentos, o HR-V exige mais intervenção do motorista do que concorrentes que já param e arrancam sozinhos.
A central multimídia de 8 polegadas também parece pequena diante das telas de 10 ou 12 polegadas que viraram padrão, e a falta de espelhamento sem fio em todas as versões passa sensação de projeto economizado.
O motor 1.5 turbo de 177 cv segue como um dos pontos altos. Entrega boas retomadas, silêncio e suavidade, combinando bem com o câmbio CVT no uso urbano e rodoviário.
O problema é estratégico. Em 2026, não oferecer versão híbrida em um SUV desse porte começa a pesar contra. Enquanto isso, Corolla Cross Hybrid, modelos da BYD e da GWM avançam com propostas eletrificadas, mais econômicas e com forte apelo de imagem.
Com versões que já encostam em R$ 200 mil, o HR-V entra numa faixa onde o consumidor compara tudo com lupa: espaço, tecnologia, motor e revenda. Nesse patamar, ele passa a disputar clientes com SUVs médios, híbridos e até modelos de marcas premium de entrada.
Design não carrega mala, nem substitui tecnologia.
O HR-V continua sendo um carro bom, confiável e agradável de dirigir. Mas o mercado mudou. Hoje, quem olha apenas para a tradição da marca e para o visual corre o risco de pagar mais por um pacote que já não é o mais completo da categoria.