As vendas de carros com motor 1.0 tiveram um salto de 13% em julho, impulsionadas pelo programa Carro Sustentável, que zera o IPI para modelos com até 115 cv e baixa emissão de poluentes. A medida, articulada pelo governo federal, estimulou uma nova onda de consumidores em busca de veículos mais acessíveis, depois de anos em que o mercado se afastou dos preços populares.
Dados da Fenabrave confirmam que o avanço não foi isolado. A alta nas vendas gerais de veículos no país entre junho e julho foi de 13,4%, com 229.397 unidades emplacadas no mês. Carros 1.0, que compõem a maior parte dos modelos de volume, puxaram esse crescimento. O programa também teve apoio de montadoras, que ampliaram os descontos oferecidos.
Além da isenção do IPI, fabricantes como Fiat, Renault, Volkswagen e Hyundai aderiram ao incentivo fiscal aplicando cortes adicionais nos preços. Durante visita a concessionárias em Brasília, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o programa é um sucesso e destacou o papel das montadoras ao colaborar com a redução de preços de tabela.
Para se enquadrar no programa Carro Sustentável, o veículo precisa ser fabricado no Brasil, ter motor flex, potência até 115,5 cv, baixa emissão de poluentes e atender a exigências de reciclabilidade, resistência estrutural e segurança. A proposta está alinhada com as metas do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que prevê mudanças na política tributária automotiva.
Com o novo formato, a alíquota do IPI passa a ser definida por uma nota baseada no impacto ambiental e na eficiência energética do veículo — e não mais apenas pela potência do motor. Essa pontuação será aplicada tanto a modelos nacionais quanto importados, afetando desde carros de entrada até veículos de alto desempenho e SUVs de luxo.
A reoneração de modelos mais poluentes, por meio do chamado IPI Verde, compensa a renúncia fiscal sobre os populares. Essa lógica de equilíbrio fiscal havia sido testada em 2023, com o incentivo de R$ 1,5 bilhão concedido às montadoras, que resultou em quedas de até R$ 10 mil no preço de modelos compactos como Fiat Mobi e Renault Kwid.
O novo programa retoma esse modelo com uma abordagem mais estruturada. Ao estabelecer critérios técnicos e ambientais claros, a política pública busca recuperar a oferta de veículos abaixo dos R$ 80 mil — faixa que havia praticamente desaparecido das concessionárias nos últimos anos. Os modelos com preço mais acessível ainda não foram divulgados oficialmente.
Fonte: AutoEsporte.