O Jeep Commander Blackhawk 2027 é um daqueles carros que começam com uma ideia perfeitamente razoável, levar sete pessoas com conforto, e terminam com um motor Hurricane 2.0 Turbo Flex de 272 cv, 40,8 kgfm de torque e aceleração de 0 a 100 km/h em 7 segundos, porque aparentemente uma família completa também pode estar atrasada para alguma coisa.
Produzido em Goiana, Pernambuco, ele continua sendo um SUV grande, com três fileiras de bancos e espaço para a bagagem de pessoas que nunca aprenderam a viajar com pouco, mas agora responde ao acelerador com a disposição de um carro bem menor, entregando força de maneira progressiva nas retomadas e ultrapassagens sem transformar cada saída de semáforo em uma discussão entre o motorista e os passageiros.
A direção elétrica mantém o Commander previsível, a suspensão absorve as irregularidades do asfalto com competência e os freios a disco nas quatro rodas conseguem controlar a massa e a potência sem drama, o que é reconfortante porque qualquer veículo capaz de levar sete ocupantes a 100 km/h em 7 segundos deveria demonstrar o mesmo entusiasmo na hora de parar.
Naturalmente, toda essa energia precisa vir de algum lugar e o lugar escolhido é o tanque, com médias próximas de 6 km/l na cidade e 10 km/l na estrada durante a avaliação com gasolina, números que não chegam a ser surpreendentes para um SUV turbo de 272 cv, embora possam transformar o funcionário do posto em uma presença mais constante na rotina do proprietário do que alguns parentes.
A cabine tenta compensar essa relação frequente com a bomba de combustível por meio de bancos revestidos em couro e suede, identificação Blackhawk nos encostos, ajustes elétricos para motorista e passageiro, entradas USB distribuídas pelas três fileiras e um carregador por indução com ventilação própria, solução bastante sensata em um mundo no qual o celular consegue aquecer mais do que muitos motores antigos.
Do lado de fora, as rodas de 19 polegadas, os pneus 235/50 R19 e os detalhes escurecidos deixam claro que esta é a versão esportiva, embora a Jeep curiosamente não tenha instalado modos de condução Eco, Normal ou Sport, oferecendo apenas comandos ligados ao sistema de tração, portanto há potência suficiente para fazer o carro parecer esportivo, mas nenhum botão para avisá-lo quando deveria agir dessa maneira.
Isso não torna o Commander ruim, apenas cria aquela sensação de que alguém terminou quase todo o trabalho e decidiu parar pouco antes do detalhe mais óbvio, especialmente porque um modo Eco poderia ajudar no trânsito e um modo Sport combinaria perfeitamente com um SUV que transporta sete pessoas enquanto acelera como se tivesse apenas uma, revelou a Stellantis.
O preço oficial de R$ 329.990 também exige uma explicação razoavelmente longa dentro de casa, embora a reportagem cite ofertas próximas de R$ 314 mil para pessoa física e cerca de R$ 280 mil para compradores com CNPJ ou microempreendedores, valores que melhoram a conversa, mas ainda não transformam o Blackhawk em uma decisão baseada em economia.
No fim, o Jeep Commander Blackhawk 2027 serve para quem precisa de espaço, valoriza conforto, gosta de acabamento sofisticado e considera perfeitamente aceitável que um carro familiar tenha desempenho suficiente para surpreender modelos menores, desde que também aceite o consumo elevado, o preço de entrada e a estranha ausência de um botão Sport em um veículo que passou grande parte do projeto tentando provar que merecia um.