O Jetour T2 XWD custa R$ 349.990 e chega ao Brasil com uma combinação pouco comum entre os SUVs grandes: tem 597 cv, tração nas quatro rodas, autonomia elétrica de 106 km e força para acelerar de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos, mas o que chama a atenção é ver um carro de quase 2,4 toneladas, com aparência de jipe preparado para atravessar terrenos difíceis, andando em silêncio pelas ruas da cidade.
Quem cresceu admirando o Land Rover Defender reconhece de longe a receita de um utilitário com linhas retas, carroceria alta, estepe pendurado na tampa traseira e rodas grandes, mas o T2 não depende apenas dessa aparência para chamar a atenção, pois combina um motor a gasolina com três motores elétricos e leva para a terra um sistema de tração capaz de distribuir a força entre as rodas.

Com 4,78 metros de comprimento, pouco mais de dois metros de largura e 1,87 metro de altura, ele ocupa um espaço considerável na garagem, enquanto os 2,80 metros entre os eixos ajudam a explicar por que cinco adultos conseguem viajar sem disputar cada centímetro do banco traseiro.
O visual tem alguns pequenos caprichos que fazem diferença quando o carro está parado, como as duas saídas de ar sobre o capô, as rodas de 20 polegadas com centro preto e os emblemas vermelhos XWD e IDM, enquanto a pintura fosca cinza Vernir acrescenta R$ 3.500 à conta para quem deseja a aparência mais próxima de um veículo de aventura.
Há também uma solução antiga que continua fazendo sentido em um carro alto: os estribos laterais ajudam a entrar e sair sem precisar escalar o banco, especialmente para crianças e pessoas mais baixas, enquanto a porta traseira abre para o lado e usa um sistema elétrico de sucção para completar o fechamento.

O estepe fica do lado de fora, protegido por uma capa, liberando espaço para o porta-malas de 580 litros, capacidade suficiente para acomodar a bagagem de uma família de cinco pessoas sem transformar o banco traseiro em depósito de malas.
A primeira surpresa aparece quando a porta se abre, porque o T2 troca a aparência de máquina feita para enfrentar lama por um interior com materiais macios nas portas, no painel e no console, costuras vermelhas, bancos de couro e revestimento de camurça no teto e nas colunas, detalhes que dão ao carro uma aparência bem diferente daquela encontrada nos jipes antigos.

Os bancos oferecem apoio para o corpo durante viagens longas, o teto solar panorâmico ilumina o interior e a ausência de um túnel alto no piso traseiro permite que o quinto passageiro acomode melhor os pés, enquanto o espaço para as pernas facilita a instalação de cadeirinhas infantis sem obrigar quem viaja na frente a adiantar demais o banco.
Quando a família sai do asfalto e encontra uma estrada de terra esburacada, o isolamento acústico ajuda a manter o silêncio, enquanto a vedação do piso procura impedir a entrada de poeira e sujeira, duas preocupações conhecidas de quem usa um veículo desse porte longe das avenidas.
O motorista encontra um painel digital de 10,25 polegadas e uma central multimídia de 15,4 polegadas, com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, enquanto o console reúne carregador de celular por indução de 50 W, entradas USB-A e USB-C para as duas fileiras e uma alavanca de câmbio com acabamento que lembra cristal.

O sistema de som é assinado pela Sony, os espelhos dos para-sóis possuem iluminação circular e o interior ainda oferece tomada de energia e porta-copos, pequenos equipamentos que passam despercebidos na concessionária, mas acabam sendo usados constantemente por quem passa horas dentro de um carro.
O tamanho do T2 poderia sugerir um veículo lento nas arrancadas, mas basta conhecer seus números para perceber que a aparência de jipe esconde um conjunto mecânico de desempenho esportivo, formado por um motor 1.5 turbo a gasolina e três motores elétricos, dois no eixo dianteiro e um no traseiro.
Juntos, eles entregam 597 cv e 91,7 kgfm de torque, força suficiente para levar o SUV de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos com a bateria carregada e alcançar 197 km/h de velocidade máxima, apesar do peso informado de aproximadamente 2.360 kg.
A participação dos motores elétricos aparece principalmente nas saídas de semáforo e nas retomadas, quando a força chega rapidamente às rodas e dispensa aquela espera comum em veículos pesados, enquanto o funcionamento silencioso torna as viagens mais tranquilas do que a carroceria quadrada poderia sugerir.
O sistema híbrido plug-in permite recarregar a bateria de 43,6 kWh em uma fonte externa de energia, com autonomia elétrica de 106 km nas medições do Inmetro, distância que permite realizar muitos deslocamentos urbanos sem ligar o motor a gasolina, desde que exista carga suficiente.

Quando os dois sistemas trabalham juntos, o consumo oficial fica em aproximadamente 10,6 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada, embora o uso híbrido inteligente possa produzir médias superiores a 18 km/l em determinadas condições, resultado que depende da carga da bateria, do percurso e da forma de dirigir.
O tanque de 70 litros permite combinar gasolina e eletricidade para percorrer mais de 1.200 km em condições favoráveis, mas essa distância não deve ser confundida com a autonomia elétrica de 106 km nem tratada como garantia de que todo motorista conseguirá viajar o mesmo tanto sem abastecer.
A versão XWD possui tração integral, bloqueio do diferencial traseiro e sete modos de condução, chamados Eco, Normal, Esporte, Neve, Lama, Areia e Pedras, além de uma função inteligente X que administra a força enviada às rodas de acordo com as condições do terreno.

Em uma subida de terra, por exemplo, o motorista pode selecionar um dos modos apropriados e deixar o sistema controlar a entrega de força, enquanto o assistente de descida ajuda a manter a velocidade em trechos inclinados, reduzindo a necessidade de trabalhar continuamente com o pedal do freio.
Existe ainda um controle de velocidade para uso fora de estrada que funciona entre 5 e 15 km/h, permitindo enfrentar subidas e descidas lentamente sem precisar manter os pés nos pedais, recurso especialmente útil quando o veículo precisa avançar com cuidado sobre pedras ou em terrenos irregulares.
A altura livre do solo é de 20 centímetros, enquanto a suspensão dianteira independente McPherson e a traseira multilink procuram conciliar estabilidade no asfalto com capacidade para enfrentar pisos ruins, acompanhadas por direção elétrica, freios dianteiros a disco ventilado e traseiros a disco sólido.
As rodas de 20 polegadas usam pneus 255/55, conjunto que contribui para a presença visual do carro, mas também exige atenção ao escolher o caminho fora de estrada, especialmente onde existem pedras capazes de atingir as rodas ou danificar os pneus.
O T2 possui câmeras com visão de 360 graus, imagem tridimensional e uma função chamada chassi transparente, que permite visualizar na tela a região próxima ao piso do veículo, ajudando o motorista a identificar obstáculos que não consegue enxergar diretamente pelo para-brisa.
Outro equipamento curioso é o sensor capaz de medir a profundidade da água à frente, informação útil antes de atravessar um trecho alagado, embora a presença desse recurso não signifique que o veículo possa entrar em qualquer alagamento sem risco.
Apesar da aparência de veículo preparado para lugares distantes, boa parte da tecnologia do T2 foi desenvolvida para situações comuns, como acompanhar o trânsito de uma rodovia, estacionar em uma garagem apertada ou evitar uma colisão durante uma distração.
O piloto automático adaptativo ajuda a manter a distância do veículo à frente, os assistentes de faixa podem atuar sobre a direção e a frenagem automática de emergência procura reduzir o risco de acidentes, enquanto o monitoramento de pontos cegos auxilia nas mudanças de faixa.

A lista de segurança inclui airbags frontais, laterais e de cortina, controles de estabilidade e tração, freios ABS, distribuição eletrônica da força de frenagem, alerta de colisão e sensores de pressão dos pneus, equipamentos que trabalham junto dos recursos de condução e das câmeras.
Há ainda ar-condicionado, bancos com ajustes elétricos, vidros e travas elétricas, computador de bordo, acendimento automático dos faróis, faróis de neblina e desembaçador traseiro, compondo um pacote que procura atender tanto o motorista que vai trabalhar todos os dias quanto a família que pretende viajar.
Por R$ 349.990, o Jetour T2 XWD reúne desempenho de carro esportivo, sistema híbrido recarregável, espaço para cinco adultos e recursos para dirigir fora do asfalto, com acabamento e equipamentos que ajudam a explicar por que a marca mira compradores de SUVs premium.

O Land Rover Defender aparece como referência de porte e estilo, mas os dois não devem ser tratados como equivalentes apenas porque possuem carrocerias quadradas e tração nas quatro rodas, já que capacidade fora de estrada, construção, serviços e características mecânicas exigem uma comparação própria.
A pintura fosca opcional leva o preço do T2 a R$ 353.490, quantia que compra um SUV grande com quatro motores no total, contando o 1.5 turbo a gasolina e os três elétricos, além de uma bateria capaz de permitir deslocamentos diários sem gastar combustível.

0 comentários
Deixe um comentário