Um caso recente envolvendo a revenda de um Range Rover SV LWB P615 Signature Suite 2024 nos Estados Unidos chamou atenção pela expressiva desvalorização em curto prazo. O veículo, um dos SUVs mais sofisticados da marca britânica, foi comprado originalmente por US$ 281.410 e, após rodar cerca de 11.500 km, foi vendido por apenas US$ 180 mil. A perda de mais de US$ 100 mil, aproximadamente R$ 540 mil em valores convertidos, representa uma média de desvalorização de cerca de R$ 50 por quilômetro rodado.
Pontos Principais:
Esse modelo específico é a versão mais luxuosa da linha Range Rover, equipada com motor V8 4.4 biturbo de 606 cavalos de potência e tração integral, além de um conjunto de equipamentos voltado ao conforto de alto nível. A versão Signature Suite, por exemplo, oferece interior com acabamento refinado, poltronas traseiras com ajustes elétricos, função de massagem, climatização independente e até compartimento para taças de champanhe.
Mesmo com essa configuração de extremo luxo, o SUV apresentou uma queda vertiginosa no valor de mercado, ainda que mantivesse aparência e desempenho praticamente intactos. A revenda ocorreu após menos de um ano de uso e reflete um padrão recorrente no segmento de veículos de alto luxo: a desvalorização rápida e intensa, especialmente no mercado norte-americano, onde há grande oferta de modelos premium seminovos.
Além do valor pago e do perfil do veículo, pesa ainda o custo de manutenção e seguro elevado, que frequentemente impacta o valor de revenda. Embora o comprador final tenha feito um bom negócio ao adquirir um modelo de alto padrão por um valor abaixo da média de mercado, a operação simboliza um prejuízo relevante para o primeiro proprietário, que perdeu quase 36% do valor do veículo em poucos meses.
O episódio traz à tona uma reflexão sobre o custo real de aquisição de carros de luxo. Muitas vezes, mesmo veículos com baixa quilometragem enfrentam dificuldades de revenda e preços reduzidos. Isso ocorre devido a fatores como o lançamento de versões atualizadas, custos operacionais elevados e o estigma de manutenção cara — que impactam negativamente a liquidez do bem.
Para especialistas do setor, é essencial considerar não apenas o valor de compra, mas também o valor de revenda e o perfil do mercado secundário. Em segmentos como o de SUVs de luxo, os riscos de desvalorização são mais altos, ainda que o modelo em questão pertença a marcas tradicionais e reconhecidas por sua excelência técnica e histórica.
Por fim, o caso serve de alerta tanto para consumidores quanto para investidores do setor automotivo. Veículos de luxo, por mais atrativos em termos de tecnologia e acabamento, podem representar perdas significativas se não forem planejados com foco na longevidade de valor. Isso reforça a necessidade de cautela em decisões de compra de bens com alta volatilidade no mercado de usados.
Fonte: Kbb e Bringatrailer.