A Renault decidiu mexer onde mais doía e confirmou que o Kwid 2027 vai aposentar a antena longa que virou meme nacional, adotando um modelo tubarão integrado ao teto, mudança que marca uma reestilização mais ampla do hatch de entrada produzido no Brasil e afeta diretamente a forma como o carro é percebido no uso diário.
A troca não é detalhe cosmético isolado. A antena flexível extrapolou o universo automotivo, virou piada recorrente nas redes sociais e passou a simbolizar, injustamente ou não, a simplicidade excessiva do Kwid. Ao eliminá-la, a Renault tenta corrigir um ruído de imagem que nenhum facelift tradicional conseguiria ignorar.
“Parece bobagem, parece brincadeira, mas a antena do Kwid virando alvo de zoeira irritou muita gente. Imagina deixar o carro na rua e toda vez ter que reposicionar a antena antes de entrar, ou pior, vê-la torta, quebrada ou raspando em garagem de teto baixo. A piada cansou quem convive com o carro, e a nova linha faz bem em acabar com a graça antes que ela vire dor de cabeça.”– Opinião do Editor
No exterior, a proposta é atualizar sem descaracterizar. O Kwid brasileiro bebe na fonte do Kwid E-Tech, mas segue caminho próprio, com diferenças claras para não parecer um elétrico adaptado.
Na rua, essas mudanças não transformam o Kwid em outro carro, mas resolvem a sensação de projeto antigo que já ficava evidente à primeira olhada. É uma atualização pensada para quem compra com os olhos antes de abrir a porta.
Dentro da cabine, a principal novidade está na central multimídia. O sistema muda de interface, ganha grafismos mais atuais e se aproxima do padrão visual dos modelos mais novos da marca, algo que faz diferença no trânsito pesado, onde tudo precisa ser rápido e intuitivo.
O acabamento também recebe atenção pontual. Console central e alguns detalhes passam a ser exclusivos do Kwid nacional, ajustados ao gosto do consumidor brasileiro, que aceita simplicidade, mas não descuido. O ar-condicionado segue manual, coerente com a proposta e com o controle de custos.
Quem espera mudanças ao volante vai se decepcionar, e talvez isso não seja um problema. A Renault manteve o conjunto mecânico exatamente como está, apostando na previsibilidade.
É o mesmo Kwid que o brasileiro já conhece, com aceleração modesta, foco urbano e comportamento honesto dentro da proposta de carro de entrada. Não empolga, mas também não promete o que não entrega.
A produção está prevista para começar no primeiro semestre de 2026, com lançamento estimado para o segundo trimestre, embora o cronograma ainda dependa de confirmação oficial. Mesmo sem datas cravadas, o movimento indica uma tentativa clara de prolongar o fôlego do Kwid em um mercado cada vez mais competitivo.
Ao eliminar a antena que virou piada nacional e atualizar visual, interior e conectividade, o Kwid 2027 não muda sua essência. Ele continua simples, urbano e acessível, mas agora sem carregar no teto um detalhe que falava mais alto que o próprio carro. Para um modelo de entrada, isso pode ser mais importante do que qualquer número de ficha técnica.