Antes dos SUVs tomarem conta das ruas brasileiras, havia um carro que simbolizava conforto familiar, espaço interno e versatilidade: o Renault Scénic. Lançado em 1999, ele foi o primeiro monovolume fabricado no Brasil e rapidamente conquistou o público que buscava uma alternativa mais prática aos sedãs e hatches da época.
Produzido em São José dos Pinhais (PR), o Scénic combinava dimensões compactas com um interior surpreendentemente amplo e soluções criativas, como os bancos traseiros individuais removíveis. Seu sucesso inicial foi expressivo: 33 mil unidades vendidas já no primeiro ano, abrindo caminho para um segmento que, por um breve período, teve seu espaço garantido no mercado nacional.
Ao longo de 12 anos, o modelo recebeu reestilizações, versões com apelo aventureiro e motores flex, acompanhando as demandas do consumidor brasileiro. Mesmo com o avanço dos SUVs, o Scénic deixou uma marca importante na indústria e no imaginário de quem viveu os anos 2000 atrás do volante de uma minivan.
Um marco no Brasil antes da popularização dos SUVs, o Renault Scénic inaugurou uma era em que as famílias buscavam espaço, modularidade e conforto em um formato compacto e urbano. Com soluções inovadoras como bancos individuais removíveis e interior versátil, o modelo antecipou tendências que mais tarde seriam absorvidas pelos utilitários esportivos, consolidando-se como símbolo da transição entre as minivans e o domínio absoluto dos SUVs no mercado nacional. Perguntar ao ChatGPT
O Renault Scénic foi lançado no Brasil em março de 1999, três anos após sua estreia europeia. Baseado na plataforma do Mégane, o modelo introduziu o conceito de monovolume ao mercado nacional, oferecendo versatilidade e conforto para famílias que buscavam um carro prático e espaçoso.
Com dimensões externas compactas, similares às de um hatch médio, o Scénic se destacava pelo interior amplo e bancos traseiros individuais removíveis, algo inédito à época. Essa modularidade oferecia uma flexibilidade de uso ideal para o cotidiano urbano ou viagens em família.
Na versão RXE, trazia motor 2.0 8V de 115 cv com câmbio manual de cinco marchas, além de direção hidráulica, ar-condicionado, trio elétrico e porta-malas de 410 litros. Já a versão RT adotava o motor 1.6 16V de 110 cv, com preço mais acessível.
O visual arredondado, com ampla área envidraçada, proporcionava boa visibilidade. Com soluções práticas como mesinhas tipo avião e diversos porta-objetos, o Scénic fechou seu primeiro ano com 33 mil unidades vendidas, sucesso notável para um segmento até então inexistente no Brasil.
A linha 2001 trouxe a primeira reestilização do Scénic, com mudanças sutis no design. Os faróis e grade frontal foram redesenhados, enquanto os para-choques e as lanternas traseiras receberam um visual mais moderno e integrado ao restante do carro.
Internamente, o painel foi atualizado com materiais de melhor qualidade e novas combinações de cores. Houve também uma ampliação na oferta de itens de conforto e segurança, o que fortaleceu ainda mais a imagem familiar do modelo.
A principal novidade técnica foi a introdução do câmbio automático de quatro marchas para a versão com motor 2.0 8V, atendendo a um público urbano que buscava mais comodidade no trânsito pesado das grandes cidades.
O Scénic passou a oferecer também airbags duplos e freios ABS em versões mais completas. Essas melhorias ajudaram o modelo a manter posição de destaque frente aos recém-chegados Citroën Xsara Picasso e Chevrolet Zafira.
Com a crescente demanda por carros bicombustível no Brasil, a Renault atualizou o Scénic em 2005 com motores flex. O 1.6 16V passou a render até 115 cv com etanol, e o 2.0 16V flex entregava até 140 cv, aumentando a atratividade do modelo frente à concorrência.
A grande novidade daquele momento foi o lançamento da versão Sportway. Com apelo aventureiro, ela trazia suspensão elevada, molduras nas caixas de roda e visual mais robusto, alinhado à tendência de SUVs urbanos em ascensão.
Mesmo com o visual reformulado e a motorização flexível, o segmento de monovolumes começava a mostrar sinais de saturação. Os SUVs compactos, como Ford EcoSport e Honda CR-V, passaram a ocupar o espaço que antes era dominado por modelos como o Scénic.
Ainda assim, a Renault conseguiu prolongar o ciclo de vida do modelo com essa renovação. A versão Sportway foi especialmente bem recebida por quem buscava um carro familiar com visual diferenciado, sem abrir mão do espaço interno e da versatilidade.
Nos anos finais, o Scénic manteve o design já conhecido, com pequenos ajustes cosméticos e foco no custo-benefício. A motorização 1.6 flex se consolidou como principal opção da linha, com bom equilíbrio entre desempenho e consumo.
Com o avanço dos SUVs e a mudança de preferência do consumidor brasileiro, a Renault optou por encerrar a produção do Scénic nacional em 2011. No total, mais de 142 mil unidades foram produzidas no Brasil ao longo de 12 anos.
Mesmo próximo do fim, o Scénic ainda era reconhecido por seu interior espaçoso, qualidade de construção e praticidade. Era uma opção interessante para famílias que valorizavam conforto e funcionalidade.
O encerramento da produção marcou o fim de uma era para os monovolumes no Brasil. O Scénic saiu de cena como um dos pioneiros do segmento, dando lugar a uma nova fase dominada por SUVs de diferentes tamanhos e propostas.
O Scénic representou um divisor de águas para a Renault no Brasil. Ele consolidou a fábrica da marca em São José dos Pinhais (PR) e posicionou a montadora como uma empresa inovadora no mercado nacional.
Entre os destaques do modelo estão a modularidade interna, o conforto de rodagem, o pioneirismo em pintura à base de água e soluções criativas de espaço, como os bancos individuais removíveis e os inúmeros porta-objetos pela cabine.
Mesmo fora de linha há mais de uma década, o Scénic ainda é lembrado por entusiastas e famílias que viveram a fase das minivans nos anos 2000. Seu nome continua presente na memória afetiva do consumidor brasileiro.
Na Europa, o Scénic teve quatro gerações até ser substituído pelo crossover elétrico Scénic E-Tech em 2022. Globalmente, foram mais de 5 milhões de unidades vendidas, consolidando seu legado como um dos monovolumes mais influentes da história.
Fonte: Renault, OLX, Webmotors, Wikipedia e iG.