A chegada de um carro elétrico com câmbio manual ao Brasil marca um novo capítulo na indústria automotiva nacional. O modelo é fruto da parceria entre a montadora chinesa JMEV e a empresa brasileira E-Motors, que promete oferecer uma alternativa diferenciada para autoescolas e centros de formação de condutores.
Pontos Principais:
A proposta, inédita no país, busca atender às necessidades de formação dos futuros motoristas. A produção, que terá início em setembro de 2025, será realizada em Jaguaré, no Espírito Santo, em regime SKD, ou seja, com veículos desmontados para montagem final no Brasil. O foco principal será a frota de autoescolas, mas há a possibilidade de expansão para outros setores, como transporte urbano e uso particular.
A tecnologia foi desenvolvida para simular a condução de um veículo com câmbio mecânico, recurso obrigatório para quem deseja tirar a primeira habilitação. Mesmo sendo elétrico, o modelo permite o treinamento de trocas de marcha e manuseio de embreagem, mantendo a exigência do ensino tradicional.
O modelo foi idealizado para reduzir os custos operacionais das autoescolas, além de oferecer veículos que não emitem poluentes. A linha de montagem utilizará componentes produzidos na China, finalizando os carros no Brasil. Essa abordagem contribui para a nacionalização parcial dos modelos, que também buscam atender à demanda de centros de formação de condutores.
Segundo a E-Motors, o custo de uma carga completa para o modelo elétrico é de R$ 12,80, o que permite a realização de até 24 aulas práticas. Isso representa uma economia significativa em comparação aos carros a etanol, cujo custo por tanque é de cerca de R$ 250. Além disso, o carro elétrico não exige troca de óleo ou embreagem, contribuindo para a redução das despesas com manutenção.
Os dois modelos que serão fabricados, EV2 e EV3, são compactos e contam com câmbio manual eletrônico. Eles não utilizam sistema mecânico tradicional, mas simulam a operação de um câmbio de cinco marchas e pedal de embreagem funcional. Isso permite que o aluno pratique as trocas e sinta a variação de velocidade, elementos fundamentais no processo de formação de condutores.
Além do público de autoescolas, os veículos podem ser usados para transporte de passageiros por aplicativo, entregas urbanas e deslocamentos cotidianos. A JMEV, sócia da Renault, estima que a produção alcance até 5 mil unidades por ano, começando com 400 veículos nos primeiros meses de fabricação.
Os veículos estão homologados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) para serem utilizados como carros de aprendizagem. A homologação inclui a configuração interna com pedais de embreagem, freio e acelerador para o aluno, além de pedais adicionais de acelerador e freio para o instrutor, garantindo segurança durante as aulas.
A E-Motors também destaca que a manutenção dos veículos será simplificada. Como os modelos elétricos não utilizam componentes mecânicos tradicionais, os custos de oficina e peças são reduzidos, o que também representa vantagem para o consumidor final. A expectativa da empresa é que o lançamento ocorra ainda em 2025, com as primeiras unidades chegando ao mercado logo após a produção inicial.
A produção do carro elétrico com câmbio manual reforça o interesse do mercado brasileiro por veículos alternativos, principalmente no contexto de sustentabilidade e economia de operação. O projeto conta com o apoio de executivos chineses e brasileiros, que participaram da assinatura oficial em Belo Horizonte no final de maio.
A JMEV, fundada em 1947 e controlada pela Jiangling Motors, conta com 30 subsidiárias e capacidade de produção de até 300 mil veículos por ano. A E-Motors, por sua vez, é liderada pelos empresários mineiros Mercídio Givisiez e Rodrigo Freitas, que também atuam no setor de autoescolas.
A expectativa de ambos os parceiros é que a nova proposta amplie o mercado para veículos de aprendizagem e incentive o uso de tecnologias mais limpas em todo o país.