A Tesla autorizou o pagamento de 96 milhões de ações, no valor de aproximadamente US$ 29 bilhões, ao CEO Elon Musk, ignorando uma decisão anterior da Justiça de Delaware que havia anulado seu pacote original de remuneração. A medida, validada por um comitê especial formado pelo conselho da empresa, foi tomada para assegurar a permanência de Musk à frente da companhia em um momento de transição estratégica.
O pacote anterior, datado de 2018, havia sido invalidado por um tribunal que considerou o processo de aprovação falho e prejudicial aos acionistas. Avaliado em mais de US$ 50 bilhões, o plano foi considerado desproporcional frente ao desempenho esperado e à condução do processo decisório. Musk recorreu da decisão em março de 2025, apontando erros legais no julgamento.
A nova concessão foi anunciada em meio à mudança de foco da Tesla, que tem deixado de lado a plataforma prometida de carros populares para priorizar o desenvolvimento de robotáxis e robôs humanoides. A estratégia reforça a visão de Musk de transformar a Tesla em uma empresa de inteligência artificial e robótica, e não apenas uma montadora.
A diretoria afirma que a outorga das ações tem como objetivo manter o compromisso de Musk com os projetos da empresa, mesmo com sua atuação em outros negócios como SpaceX, xAI e Neuralink. A valorização progressiva do poder de voto de Musk dentro da empresa também foi destacada como essencial para manter a direção da companhia alinhada com sua visão.
Com 13% das ações da Tesla sob seu controle, Musk continua sendo o maior acionista individual da empresa. A concessão prevê o pagamento de US$ 23,34 por ação restrita consolidada, mesmo valor do exercício previsto no pacote de 2018. Isso garante uma equivalência formal com o plano original, mesmo com o novo contexto jurídico.
Internamente, a Tesla tenta equilibrar as tensões entre governança corporativa, interesse de investidores e a necessidade de manter seu líder à frente das decisões mais arriscadas. Para o mercado, a ação indica que a empresa prioriza estabilidade de comando em um período de transformação profunda e de apostas tecnológicas arriscadas.
O caso reforça o padrão de decisões corporativas em grandes empresas de tecnologia, onde o vínculo entre fundadores carismáticos e a percepção de inovação parece pesar mais do que os riscos de concentração de poder. A Tesla segue, assim, reafirmando o protagonismo de Musk, mesmo diante de embates jurídicos e da desconfiança de parte dos acionistas institucionais.