A Tesla oficializou sua entrada na Índia ao inaugurar sua primeira loja no distrito financeiro de Bandra Kurla, em Mumbai. Dois exemplares do Model Y foram colocados em exposição no local. A versão mais acessível custa o equivalente a R$ 389,9 mil e a de longo alcance chega a R$ 442,5 mil. A estreia vem em um momento de retração nas vendas globais da marca e reforça a necessidade de consolidar presença em mercados ainda em desenvolvimento, como forma de manter competitividade diante da crescente pressão da chinesa BYD.
A escolha por Mumbai não foi por acaso. Trata-se do centro financeiro do país, com circulação de consumidores de alta renda e visibilidade para marcas internacionais. A Tesla, neste estágio inicial, opta por não produzir localmente, o que acarreta tarifas de importação entre 70% e 110%, tornando o Model Y um produto de nicho. Ainda assim, a estratégia é considerada válida por analistas do setor como uma forma de “plantar a marca” para crescer à medida que a infraestrutura evoluir.
Enquanto negociações por uma fábrica ainda estão em compasso de espera, a marca americana projeta abrir uma segunda loja em Nova Délhi até o fim de julho, acompanhada de 16 estações de recarga rápida nas duas cidades e centros de pós-venda. A diretora regional Isabel Fan afirmou que as primeiras entregas serão realizadas ainda neste trimestre, reforçando o compromisso com o mercado indiano.
A movimentação ocorre em meio à queda de 21% das ações da Tesla no acumulado de 2025 e à renúncia do antigo chefe de operações no país. A empresa vem reformulando sua equipe local e tenta fortalecer suas operações em mercados emergentes, mesmo diante de obstáculos estruturais e políticos. A Índia representa uma aposta de longo prazo e um possível campo de testes para estratégias replicáveis em outras nações.
Do ponto de vista de mercado, o desafio é duplo: os carros elétricos ainda representam menos de 5% das vendas totais de veículos no país, enquanto o segmento de luxo, no qual o Model Y se insere, responde por apenas 1%. Com preços próximos aos de marcas como Mercedes-Benz e BMW, o sucesso da Tesla dependerá não apenas de tecnologia e marketing, mas também da sensibilidade em adaptar sua abordagem ao contexto local.
A rival BYD já opera na Índia com produção local e vem ganhando terreno nos mercados emergentes. A disputa entre as duas gigantes da eletrificação deve se intensificar, e a entrada da Tesla no país sinaliza que a empresa de Elon Musk não pretende perder protagonismo na corrida global pelos consumidores de elétricos.
Em paralelo, o governo indiano negocia com os Estados Unidos um novo acordo comercial que pode incluir a redução das barreiras tarifárias — uma demanda antiga da Tesla e, pessoalmente, de Elon Musk. Uma eventual mudança nesse cenário pode acelerar a produção local e tornar o mercado indiano mais atrativo para fabricantes internacionais.