A Toyota atravessa um dos momentos mais delicados de sua trajetória recente no Brasil. A tempestade que devastou a fábrica de motores de Porto Feliz, no interior de São Paulo, interrompeu toda a cadeia de produção da montadora japonesa no país. Com a estrutura da unidade destruída por ventos de até 90 km/h, o fornecimento de propulsores ficou comprometido, afetando diretamente os modelos Corolla, Corolla Cross e Yaris Cross, produzidos em Sorocaba e Indaiatuba.
A decisão dos trabalhadores de Sorocaba de aprovar o layoff, medida que suspende temporariamente os contratos de trabalho, foi tomada após votação virtual organizada pelo sindicato da categoria. Com 96,3% de aprovação, a medida garante estabilidade de renda para funcionários que recebem até R$ 10 mil brutos. O mecanismo permite que a empresa reduza custos diante da crise sem recorrer a demissões em massa.
A fábrica de Sorocaba, responsável pelo Corolla Cross e pelo Yaris, entrará em férias emergenciais de 20 dias a partir de 1º de outubro. O layoff passa a valer a partir de 21 de outubro, podendo ser renovado mensalmente por até 150 dias. Indaiatuba, onde é produzido o Corolla sedã, e a própria unidade de Porto Feliz também tiveram votações semelhantes, cujos resultados devem ser confirmados ainda nesta semana.
O impacto do temporal em Porto Feliz foi severo. O destelhamento da fábrica, danos estruturais e até o capotamento de um veículo dentro das instalações foram relatados pela Defesa Civil. Apesar da gravidade, não houve registros de mortes ou feridos graves. A destruição, entretanto, deixou a Toyota sem motores disponíveis, elemento central para a produção nacional de seus modelos.
O Yaris Cross, que já sofria atrasos no cronograma de lançamento, foi diretamente afetado pela interrupção. A Toyota confirmou que o modelo ficará novamente postergado, sem data para chegar às concessionárias. A situação escancara a dependência da marca da unidade de Porto Feliz, onde eram produzidos os motores 2.0 Dynamic Force e 1.5.
Diante da crise, a fabricante estuda alternativas emergenciais, incluindo a importação de motores para viabilizar a continuidade da produção local. Essa estratégia, porém, envolve custos mais altos e pode afetar a competitividade da marca no mercado brasileiro. Em 2024, a Toyota havia produzido mais de 200 mil veículos no país, consolidando-se como a quinta maior montadora nacional, atrás apenas de Stellantis, Volkswagen, General Motors e Hyundai.
A paralisação prolongada coloca em risco a meta de vendas prevista para 2025 e ameaça a participação da Toyota em segmentos estratégicos do mercado. Sem uma solução rápida para retomar a produção, a montadora poderá perder espaço em um momento em que rivais anunciam novos modelos híbridos e elétricos, elevando a pressão sobre a empresa japonesa no Brasil.
Fonte: Uol e AutoEsporte.