O Gol é aquele carro que todo mundo já teve, já dirigiu ou pelo menos já pegou carona. No Brasil, ele atravessou gerações sem perder o fôlego, mudando de cara e de motor, mas sempre mantendo aquele ar de “pau pra toda obra”. Do G4 raiz, com interior simples e mecânica que aguenta desaforo, até o G8 com câmbio automático e central multimídia, o Gol foi se adaptando às modas do mercado sem perder a essência de carro popular que aguenta o tranco.
O G4, lançado em 2005, era basicamente o carro para quem queria gastar pouco e se preocupar menos ainda com manutenção. Nada de frescura, só o básico para rodar muito e quebrar pouco. Já o G5, a partir de 2008, foi a primeira grande repaginada visual, com linhas mais modernas e um interior que finalmente parecia ter sido pensado no século XXI. Ele começou a conversar com um público que queria um Gol mais bonitinho, mas ainda barato de manter.
Quando veio o G6, em 2012, o papo foi outro: design global da Volkswagen, mais conforto e alguns equipamentos que já eram padrão lá fora, mas novidade por aqui, como airbags e ABS de série. Ele virou um compacto com mais cara de hatch urbano, sem perder o motor guerreiro e as revisões baratas. Foi também nessa época que o Gol deixou claro que queria brigar não só pelo preço, mas pelo conjunto.
O G7, que apareceu em 2016, refinou a fórmula. Visual alinhado com a nova cara da marca, mais tecnologia, melhor conectividade e um pacote de segurança que incluía controle de estabilidade e assistente de partida em rampa. Era o Gol tentando mostrar que podia ser moderno sem custar uma fortuna. Para alguns, foi o último respiro antes de o modelo começar a sentir a pressão dos SUVs e hatches mais sofisticados.
O G8, lançado em 2018 e vendido até 2023, foi o canto do cisne. Motor 1.0 três cilindros para economizar no consumo, opção de 1.6 com câmbio automático para mais conforto, e um interior mais funcional, mas com alguns mimos opcionais que deixavam o carro mais “urbano premium”. A edição “Last Edition” encerrou a história com aquele apelo colecionável para os fãs da velha guarda.
Hoje, escolher um Gol usado é mais sobre entender seu perfil do que sobre achar “o melhor”. Se a grana é curta e a ideia é gastar pouco com oficina, G4 e G5 ainda seguram bem. Se quer um carro mais atual, com segurança e tecnologia, o G7 e o G8 são escolhas mais equilibradas. No fim das contas, qualquer geração carrega o DNA do carro que, por décadas, foi sinônimo de mobilidade no Brasil.