A Volkswagen está em um momento de transição em seu portfólio no Brasil. A chegada do Volkswagen Tera, novo SUV compacto da marca, levanta questionamentos sobre o futuro do Polo, hatch que mantém boas vendas no mercado brasileiro. A discussão sobre a sobreposição entre os dois modelos e as estratégias comerciais adotadas pela montadora ganha relevância neste cenário.
Pontos Principais:
O Polo ainda ocupa uma posição de destaque nas vendas da Volkswagen. Em abril, o modelo registrou 10.932 emplacamentos, consolidando-se como o carro mais vendido da marca no país. No acumulado do ano, o hatch soma 32.813 unidades licenciadas, mantendo a Volkswagen competitiva no mercado de automóveis de passeio.
Apesar desse desempenho, a chegada do Tera, que parte de R$ 99.990 e compartilha plataforma e motorização com o Polo, desperta dúvidas sobre o futuro do hatch. O novo SUV apresenta preços próximos aos do Polo e mira consumidores que buscam uma experiência de condução mais alta, típica dos utilitários esportivos.
A Volkswagen se mantém como líder do segmento de automóveis de passeio no Brasil. Em 2024, fechou o ano com 17,3% de participação de mercado. No primeiro quadrimestre de 2025, a participação caiu para 16,4%, mas ainda coloca a marca à frente da concorrente Fiat, que alcançou 15,8% no mesmo período.
Para sustentar essa liderança, a Volkswagen optou por reduzir as versões do Polo disponíveis no Brasil. O modelo passou de oito opções para apenas quatro: Track, Robust, Sense e Highline. Essa decisão visa manter o hatch relevante no mercado, evitando concorrência interna com o Tera e ajustando o portfólio às demandas do público.
O Volkswagen Tera, posicionado como SUV de entrada da marca, chega ao mercado com preços que começam em R$ 99.990. As versões disponíveis incluem a Tera MPI MT, Tera TSI MT, Tera Comfort e Tera High, com valores que chegam a R$ 139.990 após os reajustes previstos pela fabricante.
Tanto o Polo quanto o Tera compartilham o motor 170 TSI, um 1.0 turbo flex de três cilindros. O conjunto entrega 116 cv de potência e 16,8 kgfm de torque com etanol, aliado ao câmbio automático de seis marchas. Essa semelhança garante desempenho parecido para os dois modelos.
Ambos utilizam a mesma plataforma modular MQB A0, com entre-eixos de 2,57 metros. No entanto, há diferenças em espaço interno e capacidade de carga. O porta-malas do Tera tem 350 litros, enquanto o do Polo oferece 300 litros, refletindo o perfil mais familiar do SUV.
No caso do Polo Highline, a versão topo de linha do hatch traz rodas de liga leve de 16 polegadas, quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas e central multimídia VW Play com tela de 10,1 polegadas. O carregamento de smartphone por indução também está disponível.
A Volkswagen tem como meta consolidar o Tera como novo líder de vendas da marca no Brasil. O modelo mira o segmento de SUVs compactos, que cresce no mercado nacional e atrai consumidores em busca de veículos com maior altura em relação ao solo e sensação de robustez.
A estratégia para o Polo é mantê-lo forte no mercado de vendas diretas, especialmente em segmentos como frotas e produtores rurais. As versões Robust e Track seguem como principais opções para esses nichos, garantindo que o hatch continue relevante nas estatísticas de emplacamentos.
Concessionários consultados apontam que o público brasileiro demonstra forte interesse por SUVs. Ainda assim, não descartam que o Polo possa continuar com bom desempenho comercial, especialmente em faixas de preço mais acessíveis e para clientes que priorizam a dirigibilidade de um hatch.
A tendência de eletrificação dos hatches é outro fator que poderá impactar a convivência entre Polo e Tera nos próximos anos. A Volkswagen sinaliza que o Tera deve ganhar força no portfólio, acompanhando a demanda do mercado por SUVs e soluções mais modernas de mobilidade.
Enquanto isso, o Polo mantém seu papel como opção de entrada para consumidores que buscam um carro compacto e funcional. Mesmo com a concorrência direta do Tera, o modelo segue como peça importante na estratégia da Volkswagen para manter a liderança entre as montadoras.
O futuro do Polo, portanto, dependerá de ajustes no portfólio e na política de preços da marca. A convivência com o Tera ainda está em seus primeiros capítulos, mas o mercado brasileiro deve acompanhar de perto como os dois modelos vão disputar a preferência dos consumidores nos próximos anos.
Fonte: AutoEsporte e Vwnews.