A Volkswagen decidiu laçar de vez o público da Festa do Peão de Barretos com uma Amarok V6 que chega mais enfeitada do que peão em final de campeonato. A marca sabe que, por lá, não basta ter uma caminhonete robusta: ela precisa carregar símbolos, contar uma história e se destacar tanto na arena quanto na avenida principal da cidade. São apenas 200 unidades, todas numeradas, prontas para servir de troféu na garagem de quem trata picape como joia rara. E aqui o troféu vem com pedigree, pois essa série especial não se contenta em ser só mais um carro pintado com adesivo comemorativo.
A base escolhida foi a versão Extreme, que já ocupa o topo da hierarquia da Amarok, mas para essa edição a VW resolveu adicionar alguns arreios dignos de respeito. A picape ganhou capota marítima para proteger a carga, amortecedor na tampa da caçamba para suavizar o uso no dia a dia, tapetes de borracha prontos para receber poeira e lama, e uma plaqueta com a numeração de cada unidade logo no console central — como uma marca de gado, só que de luxo. É o tipo de detalhe que fala direto com o dono, lembrando a exclusividade sempre que ele girar a chave ou apertar o botão de partida.
A cor cinza Moonstone, até então exclusiva de modelos como Nivus e Saveiro, agora tinge a carroceria da Amarok como se fosse a pelagem rara de um cavalo de exposição. É um tom que quebra a monotonia dos brancos e pretos que dominam o mercado, entregando um ar sofisticado que combina tanto com o asfalto polido da cidade quanto com o barro do interior. Mais do que estética, é uma forma de sinalizar que essa Amarok foi pensada para quem quer se diferenciar na porteira e na rua principal, com um estilo que destoa do trivial sem perder a imponência.
As laterais trazem adesivos e badges com o logo oficial dos 70 anos da Festa do Peão, estampados de forma a deixar claro que essa picape nasceu para desfilar na arena. Não é um carro feito para se misturar ao cenário, mas para ser notado, estacionado em frente ao camarote ou cruzando a entrada do Parque do Peão com o som da música sertaneja embalando o momento. Assim como um touro bravo que domina a atenção do público antes de abrir a porteira, essa edição especial quer ser protagonista no olhar de quem acompanha a festa.
Debaixo do capô, nenhuma surpresa — e isso é uma boa notícia. O já conhecido motor V6 3.0 turbodiesel mantém sua força impressionante: 258 cv de potência, chegando a 272 cv com overboost, e torque de 59,1 kgfm capaz de rebocar trailer, transportar carga pesada ou simplesmente ultrapassar com folga na estrada. É um conjunto que fala a língua de quem precisa de desempenho tanto na lida quanto no passeio, e que garante confiança mesmo quando o cenário muda de asfalto para terra em poucos quilômetros.
O câmbio automático de oito marchas, combinado com a tração integral 4Motion, assegura que a Amarok encare qualquer terreno com a desenvoltura de um boiadeiro que conhece cada curva e cada buraco do trajeto. Seja numa estrada asfaltada entre cidades, seja atravessando o pasto após uma chuva pesada, a picape mantém firmeza e estabilidade. É a garantia de que a força não é apenas um dado técnico, mas algo perceptível na prática, pronto para ser usado de forma intensa sempre que necessário.
No interior, o pacote Extreme já vinha recheado com rodas de 20 polegadas, pedaleiras esportivas, retrovisores pintados de preto, estribos laterais e santoantônio com badge exclusivo. A série Barretos adiciona a identidade visual comemorativa e o clima da festa, transformando a cabine em um espaço que carrega o DNA do evento. É o tipo de personalização que não compromete o luxo e o conforto, mas reforça o orgulho de quem leva essa versão para casa.
A estratégia da Volkswagen é clara como um céu limpo no amanhecer da fazenda: fincar bandeira no território do agro, onde caminhonete é mais que veículo, é status e ferramenta de trabalho. A Festa de Barretos é a vitrine perfeita para esse movimento, reunindo produtores, criadores, fãs de rodeio e curiosos, todos com um olhar atento para o que estaciona no pátio e circula no entorno. É marketing direto, com sotaque, cheiro de curral e muito chapéu de cowboy no público.
O estande da VW no evento não será tímido. Além da Amarok Barretos 70 Anos, o espaço vai exibir outros modelos da marca, promover test-drives e oferecer atrações como o Labirinto Elétrico e a “Hípica VW”, onde os visitantes poderão sentir o desempenho da picape. É mais do que exposição de produto — é uma experiência de marca pensada para criar histórias e memórias, com a vantagem de que cada interação pode acabar em uma venda.
Enquanto o presente é dominado por essa edição comemorativa, o futuro da Amarok aponta para a eletrificação. A nova geração, prevista para 2027, virá de uma parceria com a chinesa SAIC, adotando motorização híbrida e deixando para trás o lendário V6 turbodiesel. Será um passo importante para atender às demandas ambientais e regulatórias, mas que também marcará o fim de uma era para fãs do ronco e da força bruta do motor a combustão.
Por enquanto, a Amarok Barretos 70 Anos funciona como um touro campeão de rodeio: rara, forte, vistosa e feita para marcar presença. Quem comprar não estará apenas levando uma picape para casa, mas também um pedaço da cultura sertaneja, um símbolo de pertencimento e uma homenagem à arena mais famosa do Brasil. É a união entre tradição e exclusividade, com a assinatura de uma marca que sabe muito bem onde quer cravar sua ferradura.