A Volkswagen anunciou a paralisação temporária de duas de suas principais fábricas de veículos elétricos na Alemanha, localizadas em Zwickau e Dresden. A medida, que começou na primeira semana das férias de outono europeias, visa ajustar o ritmo de produção à desaceleração nas vendas de modelos 100% elétricos, um sinal de alerta em meio à corrida global pela eletrificação.
A decisão afeta diretamente seis modelos: Volkswagen ID.3, ID.4, ID.5, CUPRA Born e Audi Q4 e-tron, todos baseados na plataforma MEB, dedicada a elétricos puros. Além dessas unidades, a fábrica de Emden, responsável pelo novo ID.7, também fará pausas pontuais, refletindo o esforço da marca para equilibrar a produção com a demanda real.
Concessionárias alemãs relatam que o aparente crescimento nas vendas no início do ano pode ter sido uma “miragem” provocada por incentivos fiscais e promoções, e não por uma procura orgânica. O movimento da Volkswagen evidencia um problema mais amplo: o mercado europeu de elétricos ainda enfrenta barreiras de custo, infraestrutura de recarga insuficiente e uma pressão crescente de concorrentes chineses.
O porta-voz da empresa declarou que as interrupções são temporárias e não há planos de demissões. Ainda assim, a pausa expõe o dilema vivido por uma das maiores montadoras do mundo — manter a aposta na eletrificação, mas sem ignorar a realidade do mercado. Em fevereiro, o CEO global Thomas Schäfer já havia admitido que a transição elétrica segue “desafiadora” e que a companhia busca modernizar seus processos com soluções digitais como o Click to Pay, previsto para eliminar o uso de senhas e cartões até 2030.
Enquanto revisa sua rota na Europa, a Volkswagen mantém uma estratégia distinta para mercados emergentes. No Brasil, por exemplo, a empresa aposta no híbrido flex como alternativa de transição. A próxima geração de modelos como T-Cross e Nivus será produzida sobre a plataforma MQB Evo, com versões híbridas leves e híbridas plenas, conciliando eficiência energética com o uso do etanol.
O plano inclui a nacionalização do motor 1.5 TSI Evo2 flex até 2031, um investimento significativo na fábrica de São Carlos (SP). O conjunto deve equipar parte da nova linha nacional da marca, que pretende atender a um público mais amplo, reduzindo dependência de importações e garantindo custos de produção mais competitivos.
A decisão de paralisar temporariamente fábricas na Europa não é apenas um reflexo da queda de demanda, mas também uma demonstração de realinhamento estratégico. A Volkswagen tenta conciliar o discurso da eletrificação com a sustentabilidade financeira. O grupo entende que a transformação da indústria automotiva será mais longa e complexa do que se previa há cinco anos, e que a coexistência entre híbridos, elétricos e motores flex ainda será inevitável nas próximas décadas.
Fonte: Terra e Diariodocomercio.