A Volkswagen resolveu fazer uma coisa que parece quase absurda no mundo dos carros elétricos: em vez de colocar uma bateria do tamanho de um apartamento de dois quartos, decidiu descobrir até onde dava para ir simplesmente desperdiçando menos energia.
O resultado se chama Mission Efficiency, um carro construído sobre tecnologia ligada ao ID. Polo, com motor elétrico de 135 cv e bateria de 54,9 kWh, números que normalmente não fariam ninguém derrubar o café sobre a mesa, até você descobrir que ele percorreu 1.278,36 km entre Wolfsburg e Viena com apenas uma recarga durante o caminho.

A viagem cruzou Alemanha, Polônia e República Tcheca antes de terminar na Áustria, com velocidade média de 67,7 km/h, máxima de 138 km/h e ainda 164 km aparecendo no painel quando o carro chegou ao destino, o que transforma uma bateria relativamente pequena em algo muito mais interessante do que simplesmente empilhar células sob o assoalho.
A explicação está na carroceria, porque o Mission Efficiency tem coeficiente aerodinâmico de apenas 0,158, usa rodas traseiras cobertas, fundo fechado, maçanetas embutidas e uma traseira que vai ficando cada vez mais estreita, como se alguém tivesse colocado o carro dentro de um túnel de vento e começado a apagar tudo o que atrapalhava o ar.

Isso faz uma diferença enorme quando a velocidade sobe, porque acima de 80 km/h o Mission Efficiency gasta mais de 30% menos energia que o ID. Polo, enquanto a 140 km/h ele consome praticamente o que o Polo precisa para viajar a 100 km/h, uma bela demonstração de que o vento é um imposto invisível cobrado de todo carro que anda rápido.
E não estamos falando de uma cápsula para uma pessoa magra, sem bagagem e sem vontade de conversar com ninguém, porque o carro tem 4,77 metros de comprimento, quatro lugares em configuração 2+2 e porta-malas de 481 litros, embora os bancos traseiros tenham sido pensados para pessoas de até cerca de 1,60 metro.


A dieta também foi levada a sério, com alumínio, fibra de carbono e aramida espalhados pela estrutura, enquanto parte da suspensão dianteira e dos freios veio da arquitetura do ID. Polo, porque não faria muito sentido economizar energia durante 1.200 km e depois carregar centenas de quilos de material desnecessário.
Até o teto entrou no jogo, com células solares capazes de gerar até 370 W para alimentar sistemas elétricos do carro, o que em condições favoráveis pode preservar energia equivalente a até 30 km de autonomia por dia, não o suficiente para transformar o carro em uma usina solar ambulante, mas certamente melhor do que deixar aquele espaço fazendo apenas sombra.
Dentro da cabine, a obsessão continuou, com a Volkswagen abrindo mão de uma grande tela multimídia fixa e permitindo o uso de celular ou tablet, enquanto uma caixa Bluetooth substitui alto-falantes tradicionais, decisões que parecem pequenas até você perceber que o carro inteiro foi construído dessa maneira, retirando gramas, reduzindo atrito e cortando consumo onde fosse possível.

O mais interessante é que o Mission Efficiency não ficou lento por causa disso, porque seus 135 cv levam o carro de 0 a 100 km/h em 9 segundos, a velocidade máxima chega a 160 km/h e a recarga rápida pode alcançar 105 kW, números perfeitamente normais para um carro que decidiu gastar energia como se cada quilowatt-hora estivesse saindo diretamente da carteira do motorista.

A Volkswagen criou algo muito mais interessante do que um simples exercício de laboratório, porque o Mission Efficiency mostra que aumentar a autonomia de um elétrico não precisa significar colocar uma bateria cada vez maior, mais pesada e mais cara, já que às vezes a solução mais inteligente é fazer o carro parar de brigar contra o ar.
Com informações da Volkswagen-newsroom.

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