O Volkswagen Tera chegou ao mercado em 2025 como o sucessor espiritual do Gol, mas trouxe consigo uma grande polémica: o uso excessivo de plásticos rígidos no acabamento. Esta escolha, focada em manter o preço competitivo contra o Fiat Pulse, deixou muitos consumidores com uma dúvida: se a VW economizou no painel, será que também economizou na segurança?
Para responder a essa crítica e aumentar a transparência, a Volkswagen abriu os bastidores do seu centro de desenvolvimento em São Bernardo do Campo (SP) e mostrou, pela primeira vez, os detalhes do processo de segurança do Tera (conforme reportagem do portal Auto Segredos).
O resultado é claro: o foco da economia foi no acabamento que o cliente toca, e não na estrutura que o protege.
O pilar central da segurança do Tera é a sua arquitetura. Ele utiliza a plataforma global MQB-A0, a mesma base moderna do Polo, Nivus e T-Cross. Todos estes “irmãos” de plataforma já provaram ter nota máxima nos testes de colisão (5 estrelas no Latin NCAP).
Embora o Tera seja o projeto de “entrada” desta família, a VW garante que a rigidez estrutural, o uso de aços de alta e ultra-alta resistência, e as zonas de deformação programada foram 100% mantidos. O desenvolvimento, focado no Brasil, teve a missão de equilibrar o custo (para brigar com o Pulse) sem comprometer a proteção aos ocupantes.
A Volkswagen revelou números impressionantes sobre o desenvolvimento do carro. Antes mesmo de uma única peça física ser construída, o Tera passou por um ciclo exaustivo de validação digital. No total, foram:
Este nível de teste é o padrão global da marca e assegura que, apesar de ser um carro de entrada, o Tera protege os ocupantes da mesma forma que os seus irmãos mais caros de plataforma.
Aqui, a estratégia da VW fica clara. O Tera entrega uma estrutura 5 estrelas, mas reserva os equipamentos de segurança ativa (ADAS) para as versões mais caras.
Todas as versões saem de fábrica com os obrigatórios 6 airbags (frontais, laterais e de cortina) e Controlo de Estabilidade (ESC). No entanto, itens como Piloto Automático Adaptativo (ACC) e Frenagem Autónoma de Emergência (AEB) são limitados às versões Highline.
É uma abordagem diferente de concorrentes como o Toyota Yaris Cross 2026, que promete trazer parte dessa tecnologia de assistência desde as versões de entrada, ou do novo Chevrolet Sonic, que também focará em 6 airbags de série para brigar com o Pulse.
A estratégia da VW é transparente: o Tera foi feito para ser um carro racional. A economia que o consumidor *vê* (no plástico do painel) foi o que permitiu o investimento na engenharia que o consumidor *não vê* (a segurança da plataforma MQB e os 1.560 testes de colisão).
Portanto, embora o acabamento interno do Tera continue a ser um ponto fraco na briga com rivais mais refinados, os dados dos testes provam que a segurança estrutural do carro é de nível superior e está alinhada com os padrões do Polo, que detém 5 estrelas no Latin NCAP. A proteção ao ocupante, que é o mais importante, não foi comprometida pela economia de custo.
Fonte: Autossegredos.