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Fatores que você precisa avaliar antes de comprar um carro elétrico no Brasil

Um motorista empolgado com a ideia de um carro elétrico logo percebe os desafios da nova tecnologia. A infraestrutura de recarga ainda é limitada, a manutenção exige oficinas especializadas e a desvalorização na revenda é maior. Além disso, a bateria perde autonomia com o tempo, tornando a eletromobilidade um caminho cheio de obstáculos.
Publicado em Mobilidade dia 18/02/2025 por Alan Corrêa

Carro elétrico parece uma ideia simples: plugar na tomada, carregar e sair dirigindo sem precisar gastar com combustível. Mas na prática, as coisas não são tão diretas. Apesar do crescimento do mercado e da promessa de um futuro mais sustentável, ainda há obstáculos no caminho para quem decide trocar o tanque pela bateria.

Pontos Principais:

  • A infraestrutura de recarga ainda não atende toda a demanda do mercado.
  • A desvalorização do carro elétrico é maior do que a de um veículo a combustão.
  • A manutenção exige oficinas especializadas e profissionais qualificados.
  • A autonomia da bateria pode ser reduzida com o tempo de uso.

Infraestrutura de recarga, custo de manutenção, desvalorização e até o peso extra dos veículos são desafios que não podem ser ignorados. Além disso, a qualificação das oficinas ainda não está no nível ideal para atender às necessidades dos proprietários. Enquanto isso, as montadoras continuam investindo em novos modelos, tentando equilibrar inovação e viabilidade para o consumidor.

Então, antes de apostar todas as fichas no elétrico, vale entender o que realmente significa ter um carro movido a bateria e quais são as dificuldades que podem surgir no dia a dia.

Infraestrutura de recarga

A promessa de carregar o carro na garagem e rodar tranquilo tem um problema: nem todo mundo tem onde carregar. No Brasil, existem cerca de 12 mil pontos de recarga públicos ou semipúblicos, número que até parece razoável à primeira vista.

O detalhe é que mais de 80% desses carregadores são do tipo AC, conhecidos por fornecer carga lenta. Isso significa que o tempo de espera pode ser longo. Já os carregadores rápidos, do tipo DC, conseguem entregar mais energia em menos tempo, mas mesmo assim podem levar até 60 minutos para uma recarga completa.

Outro ponto é que esses postos de recarga estão concentrados em grandes cidades e rodovias específicas. Ou seja, quem mora longe dos centros urbanos pode enfrentar dificuldades para encontrar um ponto próximo. Sem falar na possibilidade de encontrar carregadores fora de serviço.

Desvalorização e custo de manutenção

Quem compra um carro geralmente pensa no quanto ele vai valer na hora da revenda. E no caso dos elétricos, a depreciação é um ponto de atenção. Levantamentos indicam que um carro elétrico pode perder até 15% do seu valor após um ano, enquanto um modelo a combustão desvaloriza, em média, 6% no mesmo período.

Além disso, a bateria, que é um dos componentes mais caros do veículo, se desgasta com o tempo. Mesmo com as montadoras oferecendo garantias de oito anos, a redução da autonomia ao longo dos anos pode impactar o valor do carro no mercado de usados.

Outro ponto importante é a manutenção. Apesar de terem menos peças móveis do que os carros convencionais, os elétricos ainda possuem sistemas complexos, como inversores e módulos de recarga, que podem apresentar falhas. Os pneus também sofrem um desgaste acelerado devido ao peso do veículo e ao torque instantâneo.

Oficinas especializadas

Se precisar levar um carro elétrico para revisão, o dono pode ter dificuldades para encontrar uma oficina capacitada. Nem todas as oficinas independentes estão preparadas para lidar com esse tipo de veículo.

Mecânicos que trabalham com sistemas de alta voltagem precisam de certificações específicas, como o curso NR-10, que qualifica profissionais para atuar com eletricidade. Sem essa especialização, há risco para o técnico e para o próprio veículo.

Além disso, mesmo sendo mais simples do que um carro a combustão, o elétrico ainda precisa de revisões em suspensão, freios, amortecedores, ar-condicionado e bateria de 12V, que alimenta os sistemas auxiliares. Tudo isso exige conhecimento técnico e ferramentas adequadas.

Vale a pena investir em um carro elétrico?

O crescimento das vendas mostra que o mercado está aquecido e que há interesse na tecnologia. Só no último ano, as vendas de modelos 100% elétricos cresceram 34,7%, totalizando 61,6 mil unidades.

Apesar do avanço, a infraestrutura ainda precisa evoluir para acompanhar esse ritmo. A relação de um ponto de recarga para cada 7,7 veículos pode parecer suficiente, mas não leva em conta a localização dos carregadores e possíveis falhas nos equipamentos.

A escolha pelo carro elétrico depende de diversos fatores. Quem tem acesso fácil a um ponto de recarga e pretende ficar com o veículo por vários anos pode encontrar vantagens. Já para quem precisa de autonomia maior e depende de oficinas tradicionais para manutenção, ainda há desafios no caminho.

Coisas para se pensar antes de comprar um carro elétrico no Brasil

Fonte: AutoEsporte, Jornaldocarro, Mobilidade, QuatroRodas, Insideevs e CNN.