Viajar é, com toda certeza, uma das melhores coisas da vida. Isso porque cada viagem traz consigo a possibilidade de conhecer novas pessoas, novas culturas e, sobretudo, novas experiências. Não há nada no mundo que substitua essa incrível sensação de felicidade como viajar.
O que quero compartilhar aqui com os leitores é uma experiência que só se tem uma vez na vida: minha primeira viagem internacional feita de carro, praticamente 1.400 km de distância percorrida.
Já fiz diversas viagens internacionais, mas todas elas de avião, o que sem dúvida é muito mais prático e confortável, não há necessidade de programar cada uma das paradas, estudar os pedágios, encontrar lugares para alimentação ao longo do caminho, enfim, um mundo de providências – como veremos ao longo do texto – que de avião são completamente desnecessárias.
Isso que parece um fardo a primeira vista, na verdade constitui parte importante da experiência. Ao longo da preparação temos a sensação de já estarmos com o pé na estrada.
Ainda mais no meu caso, porque fomos em dois casais, e um mês antes já começamos a conversar sobre os preparativos. Hoje em dia o convívio entre amigos ficou tão relegado ao esquecimento, que uma oportunidade como essa serve para criar ocasião de estar em companhia dos amigos. Além disso, também importante, os custos se dividem ao meio…
Cabe uma palavra especial com relação aos preparativos que fizemos antes de por o pé na estrada. A primeira preocupação definir a data, o horário e rota que seria traçada. A data foi relativamente fácil, escolhemos o feriado de Carnaval para nossa aventura. O horário também foi simples, e a rota apresentava duas opções a partir de Curitiba até Guarapuava: BR-376 via Campo Largo ou BR-421 via Araucária.
A primeira opção, indo pela estrada BR-376, com certeza apresentava uma estrada com condições melhores – ela é mais nova e moderna – especialmente por proporcionar duas faixas em cada pista na maior parte do tempo, contudo julgamos que o trânsito estaria ruim e decidimos ir pela estrada BR-421, com pista simples por um trecho grande e 30 km mais longa, mas bem pavimentada e sinalizada. Não nos arrependemos dessa decisão.
Depois de tomadas essas decisões, começamos a calcular os gastos de teríamos com combustível e pedágio, além de combinarmos que um arcaria com os gastos na ida e o outro na volta da viagem.
Quanto à hospedagem, o leitor já deve estar interessado nessa informação, ficamos hospedados na casa dos primos desse meu amigo de Curitiba. Dessa forma, não vou poder colaborar com a escolha do hotel ou pousada em Asunción.
Esse casal de amigos com o qual minha esposa e eu viajamos moram em Curitiba. Então, combinamos com eles que na sexta-feira, dia 01 de março, partiríamos de São Paulo rumo à sua casa às 9hs da manhã, com previsão de chegada às 14hs. Eis que chega o dia tão esperado, e o plano aconteceu conforme planejado, com apenas meia hora de atraso da nossa parte.
No caminho, fizemos uma parada no Graal Ouro Verde, que fica localizado um pouco antes de Registro, para almoçar. É preciso dizer que a refeição estava muito bem preparada e servida pelo estabelecimento, o preço poderia ser um pouco mais amigável, mas nada que tenha causado um prejuízo irreversível em nossas finanças.
Por fim, chegamos em Curitiba e ali permanecemos até às 18hs aguardando que a esposa do nosso amigo chegasse do trabalho, e então saímos com destino a Assunción, capital do Paraguai. Tanto meu amigo quanto eu já havíamos decidido que revessaríamos no volante, e eu comecei.
Pelos cálculos precisaríamos fazer duas paradas antes de chegar em Assunción e, de fato, assim aconteceu. Como dissemos pouco acima, o horário de partida foi às 18hs rumo ao nosso longínquo destino. A primeira parada, já previamente planejada, foi um pouco depois de Guarapuava, na churrascaria Três Pinheiros, que não decepcionou, e onde chegamos um pouco depois das 23hs.
Ali nós jantamos com tranquilidade, tomamos um bom café para acabar com o que pudesse haver de sono, abastecemos o carro e à 0hs seguimos viagem. Aqui o meu amigo assumiu o volante e partimos rumo à fronteira, uma vez que eu já tinha dirigido desde São Paulo naquele mesmo dia e ele estava mais descansado.
O percurso que se seguiu foi bastante tranquilo, pouco movimento na estrada, nenhum imprevisto, apenas as longas horas da madrugada que teimam em passar vagarosamente, até que chegamos finalmente à fronteira por volta das 6hs. Não fizemos nenhuma parada nesse intervalo, a não ser já em Foz do Iguaçu para abastecer novamente o carro.
Cerca de meia hora depois chegamos à fronteira, onde tivemos o primeiro imprevisto: minha esposa e eu não tínhamos levado nossas respectivas carteiras de vacinação (e que precisam ser carimbadas pela ANVISA, ou seja, mesmo que a tivéssemos conosco de nada serviria). Como está havendo um surto de febre amarela no Brasil é necessária a apresentação do documento para a obtenção da permissão de entrada no Paraguay.
Não queriam deixar a gente entrar de forma alguma, mas insistimos bastante e com “jeitinho” acabamos convencendo o oficial que ali estava nos atendendo. Depois desse triste episódio – nosso único imprevisto ao longo de toda viagem – atravessamos Ciudad del Este que, pelo horário temprano, estava completamente vazia, parecendo até uma cidade fantasma.
Já havíamos concluído boa parte de nossa jornada, mas ainda tinha um bom trecho pela frente. Meu amigo insistiu em continuar dirigindo, o que aceitei de bom grado, uma vez que ele por ter parentes no Paraguai já conhecia a estrada e os costumes locais.
Isso foi muito bom, porque em determinado momento fomos parados pela polícia (a qual costuma parar com frequência os carros com placas brasileiras) que pediu para ver se as pessoas dentro do carro obtiveram aquela autorização, que comentamos acima, de entrada do país. Como estava tudo ok, continuamos por um pouco mais de 2 horas e paramos mais ou menos na região de Caaguazú, para fazer nossa primeira degustação culinária: as famosas “chipas”.
As “chipas” – espero que se escreva assim… – são uma espécie de broa de milho com erva doce misturada com pão de queijo. É algo único que não temos no Brasil. Elas são preparadas em estabelecimentos à beira da estrada e servidas quentíssimas pelas “chiperas”, moças e mulheres que levam essa delícia em grandes cestos, muitas delas entrando nos ônibus e indo até a próxima parada.
As chipas são servidas com café ou com o que lá se chama de “cozido”, seria o equivalente do nosso chá, mas com açúcar queimado na composição, e praticamente todos escolhiam o cozido ao invés do café. Este último, aliás, para nosso paladar era bastante fraco, um pouco aguado.
Depois dessa breve parada que aconteceu por volta das 6hs, seguimos nosso caminho até a casa dos primos dos nossos amigos, em Luque, perto do centro de Asunción. Chegamos lá um pouco depois das 9hs, moídos de cansaço, especialmente minha esposa e eu que já estávamos dentro do carro havia 24hs, desde que saímos de São Paulo.
Depois das calorosa recepção – e é preciso dizer que todo povo paraguaio é extremamente receptivo – descansamos (dormimos mesmo) por algumas horas e já no fim da tarde saímos para visitar alguns pontos históricos da capital. O passeio foi breve, pois realmente estávamos cansadíssimos. Voltamos e aproveitamos a convivência com nossos colegas.
Foi uma experiência muito boa, embora tenha sido bastante cansativa. Muita gente me perguntou se valeu a pena ir de carro ou se teria sido melhor ir de avião. Na verdade, o objetivo dessa viagem era a aventura de ir de carro e não o destino em si mesmo. Então, nesse sentido, a pergunta não se põe para o nosso caso.
A viagem em si é muito cansativa, muito mesmo! Se o objetivo é passar dias de lazer em Assunción, ou descansar de uma jornada exaustiva de trabalho, a melhor opção com certeza é ir de avião. Mas se o propósito é ter uma experiência diferente, fazer uma aventura que marque a vida, enfrentando as dificuldades e a fadiga, atravessando o Sul do país palmo a palmo, então sim, posso dizer que valeu muito a pena, foi muito gratificante acrescentar essa realização no “passaporte” das nossas viagens.
O retorno da viagem foi muito mais tranquilo. Saímos de Assunción no domingo, dia 03 de março, por volta das 15hs rumo a Ciudad del Este e chegamos por volta das 20hs, onde ficaríamos hospedados até terça-feira, 05 de março. Portanto, a volta foi dividida em fases.
No próprio domingo, depois de deixar as malas no hotel localizado no Paraguai, entramos no Brasil e cruzamos para a Argentina onde jantamos. Parece um luxo de político, mas esse percurso levou menos de 1 hora, e comemos numa feirinha pela módica monta de 20 reais por pessoa. Aproveitamos, claro, para comprar uns vinhos Malbec “nacionais”, doce de leite e o famoso alfajor.
Reservamos a segunda-feira para os passeios. Nosso plano era visitar as Cataratas do Iguaçu e em seguida o Parque das Aves. Contudo, o trânsito e a afluência de pessoas, devido ao feriado, não nos permitiu fazer o segundo passeio. Contentamo-nos em contemplar a maravilha exuberante da natureza que estava diante de nós, e cujo imenso volume de água é maior nesse período do ano porque as chuvas são mais abundantes.
Almoçamos, já bem tarde, num restaurante do próprio Parque do Iguaçu, outra experiência fabulosa. O preço não nos pareceu caro em vista do nível do estabelecimento e da comida, bem como do local privilegiadíssimo onde ele se encontra e na experiência que nos proporcionou. Gastamos por volta de 100 reais por pessoa numa refeição fartíssima e deliciosa, já incluindo as bebidas e a sobremesa.
Saindo do parque voltamos para o hotel onde aproveitamos a piscina, estava um dia quente. Um pouco mais tarde voltamos à Argentina onde jantamos o verdadeiro churrasco argentino, outra experiência da qual não nos arrependemos e que provavelmente não vamos esquecer.
A terça-feira pela manhã foi destinada às compras. Acordamos muito cedo para conseguir estacionar o carro perto da região das lojas. Aqui é preciso fazer duas ponderações importantes: 1. já sabíamos em quais lojas iríamos; 2. já tínhamos uma lista do que queríamos comprar. Sem isso, seriam necessários 2 ou 3 dias inteiros para percorrer uma parcela significativa das lojas.
Aqui vai um conselho: se você pretende fazer compras na fronteira, antes de ir faça uma lista do que deseja realmente comprar e defina um orçamento, do contrário, são tantas as “coisas que a gente não sabia que precisava” e que tem lá… que perde-se o foco, gasta-se muito mais do que podia e muitas vezes compra-se coisas que nunca vai usar.
Segundo conselho: uma vez feita a lista, pesquise os preços dos itens na lista aqui no Brasil. Depois, pesquise o mesmo produto – veja bem, precisa ser o mesmíssimo produto, mesma marca, mesmo modelo, etc., para que a comparação seja justa – nas lojas do Paraguai. É possível fazer isso aqui no Brasil mesmo através do site: comprasparaguai.com.br, onde é possível ver o preço dos principais produtos comercializados na fronteira e a respectiva loja onde ele é vendido.
Cabe aqui uma ressalva importante. Muita gente tem um certo “preconceito” com relação a produtos comprados no Paraguai. Essa má fama é fruto do passado, quando de fato em Ciudad del Este entre os produtos comercializados existiam um número muito grande de falsificações. Contudo, essa realidade não existe mais.
Atualmente, os produtos vendidos nas lojas – não falamos dos camelôs – são totalmente originais. Inclusive existe um órgão fiscalizador que, ao menor sinal de um consumidor, atua draconianamente fechando a loja em questão de minutos. Isso justamente para evitar que as pessoas percam a confiança e deixem de fazer compras na fronteira.
Para ter uma ideia de como isso é verdade, compramos uma impressora HP numa loja até bem simples e o vendedor antes de finalizar a compra perguntou se queríamos contratar a garantia estendida da própria marca com suporte no Brasil. O preço era irrisório, cerca de 12 reais, aceitamos.
Ou seja, se um produto comprado lá tem garantia no Brasil, evidentemente não é mercadoria falsa. Com o número de série pudemos comprovar no site oficial da HP no Brasil que realmente podemos utilizar a garantia aqui no país. O mesmo vale, por exemplo, para produtos da Apple, mas como não compramos nenhum, damos testemunho do que realmente tivemos como provar.
Terminadas as compras fizemos o check-out e partimos, por volta das 17hs, rumo a Curitiba, tendo lá chegado às 3hs de quarta-feira, dia 06 de março. Dormimos umas boas horas e, minha esposa e eu, saímos com destino a São Paulo por volta das 11hs, onde chegamos às 17hs.
Essa foi nossa viagem-aventura, com passeios e compras pelo caminho. Uma experiência que quero compartilhar com o leitor, e que espero não esquecer ao longo de toda minha vida.