A Yamaha decidiu encerrar a venda de cinco motocicletas no Brasil e mexe diretamente com quem usa moto para trabalhar, se locomover ou simplesmente economizar no dia a dia.
A medida retira das ruas modelos populares, reposiciona a marca em segmentos-chave e deixa claro que a Yamaha prefere reduzir portfólio a manter projetos antigos diante de novas regras ambientais e mudanças de mercado.
A saída mais sentida é a da Factor 125i UBS. Presença constante em centros urbanos, ela virou sinônimo de previsibilidade. Quem comprava sabia o que estava levando: manutenção simples, mecânica conhecida e consumo que girava em torno de 46 km/l, suficiente para fazer a diferença no orçamento mensal. Não era uma moto para empolgar, mas cumpria exatamente o que prometia, ir e voltar gastando pouco e sem surpresas.
Ao tirá-la de linha, a Yamaha aposta na Nova Factor como sucessora direta. A troca é estratégica, atualiza visual, atende exigências ambientais e tenta manter a base do público. Para quem pilota, a consequência é clara: o velho conhecido sai de cena e o novo ainda precisa provar resistência no uso intenso das ruas brasileiras.
No mesmo movimento, a Fazer 150 UBS também deixa o catálogo. Aqui, a decisão passa menos pela emoção e mais pela lógica interna da marca. A Yamaha enxuga a linha street e concentra esforços na família Factor, empurrando a sucessão para a Factor 150 DX. O resultado é um portfólio mais simples, porém com menos opções para quem gostava da identidade da Fazer.
A aposentadoria da Neo 125 marca uma virada ainda mais sensível. Durante anos, ela foi a escolha de quem queria facilidade no trânsito, piso plano e condução descomplicada. Era comum entre quem não queria lidar com embreagem ou buscava conforto no uso diário.
No lugar dela, entra a Neo’s Connected, elétrica, produzida no Brasil e voltada a um público diferente. Não se trata de uma substituição direta. Sai uma scooter simples a combustão, entra um modelo elétrico, mais caro e dependente de infraestrutura. Para muitos usuários urbanos, isso representa mudança de perfil, não apenas de produto.
A reestruturação não ficou restrita às motos de entrada. A Yamaha também encerrou as vendas da MT-09 ABS e da Tracer 900 GT ABS no Brasil. Ambas esbarraram no avanço das exigências do PROMOT M5, que passou a valer para toda a linha nacional a partir de 2025.
Adequar motores de maior cilindrada a esse cenário exige investimento alto em engenharia e homologação. Quando o volume de vendas não compensa, a conta simplesmente não fecha. Outras marcas já fizeram escolhas parecidas, e a Yamaha segue a mesma lógica.
Na prática, o consumidor perde referências conhecidas. Quem buscava uma moto barata, simples e confiável vê a Factor 125i UBS sair de cena. Quem gostava de scooter acessível precisa lidar com a transição forçada para a eletrificação. Já os entusiastas das três cilindros ficam, ao menos por enquanto, sem opções equivalentes no portfólio da marca.