Um temporal com ventos de até 90 km/h atingiu Porto Feliz, no interior de São Paulo, na tarde de segunda-feira (22). A força da ventania arrancou parte do telhado da fábrica de motores da Toyota, localizada às margens da Rodovia Marechal Rondon, e deixou um cenário de destruição que afetou a rotina de trabalhadores e moradores da cidade.
Pontos Principais:
O Sindicato dos Metalúrgicos de Itu confirmou que 30 funcionários tiveram ferimentos leves durante a tempestade. Eles foram socorridos e já receberam alta hospitalar. Para escapar do vendaval, alguns trabalhadores chegaram a se proteger dentro das próprias máquinas da linha de produção.
As imagens registradas no interior da fábrica mostram o teto metálico sendo arrancado e lançado para fora do prédio. Do lado de fora, a violência do vento virou um carro de rodas para cima, ampliando a sensação de caos. A unidade, responsável pela fabricação de motores que abastecem modelos produzidos no Brasil, teve suas atividades interrompidas sem previsão de retorno.
Em nota, a Toyota do Brasil reconheceu os danos severos à estrutura e informou que está oferecendo suporte aos colaboradores e parceiros atingidos. A empresa também declarou que prepara um relatório detalhado para dimensionar a extensão dos prejuízos e avaliar os próximos passos.
Como a montadora trabalha com produção enxuta, sem estoques acumulados, o impacto da paralisação pode se refletir nas plantas de Sorocaba e Indaiatuba. Atualmente, a unidade de Porto Feliz emprega cerca de 800 trabalhadores e é peça fundamental na cadeia produtiva da empresa no país.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região já agendou uma reunião com a Toyota para definir medidas emergenciais e discutir a situação dos empregados nos próximos dias. A preocupação se concentra tanto na segurança quanto na garantia da continuidade das atividades industriais.
O temporal não afetou apenas a fábrica. Em Porto Feliz, parte do teto de um asilo desabou, deixando três idosos feridos. Todos foram socorridos e liberados. Ao todo, nove internos foram transferidos para casas de familiares e outros 32 realocados em dependências seguras da própria instituição.
A prefeitura relatou ainda a queda de árvores em diversos bairros, o destelhamento de uma escola e a interdição de uma residência, cuja família foi encaminhada para abrigamento temporário pela Assistência Social. O fornecimento de energia elétrica foi restabelecido apenas à noite, após horas de apagão em diferentes regiões da cidade.
Diante da gravidade dos estragos, o prefeito Célio Peixoto declarou estado de emergência em todo o município. A medida agiliza o acesso a recursos para reconstrução, limpeza e reparo de áreas atingidas, além de reforçar a atuação da Defesa Civil.
A cena de trabalhadores se escondendo dentro das máquinas, o carro virado pelo vento e a estrutura metálica espalhada do lado de fora da fábrica simbolizam a dimensão de um episódio extremo, que mobilizou autoridades, sindicatos e moradores para lidar com seus efeitos imediatos e seus desdobramentos futuros.