A promessa é simples e cumprida: quando o brasileiro reclamou alto, a indústria respondeu com ajustes reais, que alteraram comportamento, conforto e percepção de qualidade nas ruas.
Lançar um carro por aqui é submeter o projeto a um teste severo. Asfalto irregular, trânsito pesado e um público que comenta tudo nas redes fazem com que erros apareçam rápido. Nos últimos anos, alguns modelos começaram bem de venda e mal de reputação. Não por quebra ou fiasco mecânico, mas por decisões de projeto que não conversavam com a rotina local. O resultado foi pressão pública, leitura de comentários e, em alguns casos, mudanças feitas em tempo recorde.
Ninguém questionou a confiabilidade, mas detalhes pesam quando o preço sobe. O freio de estacionamento acionado por pedal incomodou desde o lançamento, assim como o escapamento prateado exposto. Não era um problema de funcionamento, era de sensação. Em um SUV médio, o consumidor espera coerência visual e ergonomia atual. A Toyota não reinventou o modelo, mas fez o que precisava: escureceu o escapamento e ajustou pontos que melhoraram a percepção sem mexer no conjunto mecânico, preservando o que sempre foi seu maior trunfo.
A estreia da picape média da Fiat foi dura. O motor diesel de 180 cv parecia pouco para o porte, e a suspensão excessivamente rígida cansava no uso diário. O retorno veio rápido e direto, principalmente de quem usa picape para trabalhar e viajar. A resposta foi uma reestruturação técnica completa: potência elevada para 200 cv, torque de 45,9 kgfm, direção elétrica e nova calibração de suspensão. A Titano deixou de ser promessa e passou a se comportar como ferramenta de verdade.
A crítica aqui foi menos mecânica e mais sensorial. Acabamento simples demais, soluções práticas estranhas e comandos fora de lugar minaram a imagem da nova fase da marca. Na linha 2026, a Citroën ouviu. Painéis ganharam materiais mais agradáveis ao toque, a chave evoluiu para o padrão canivete e, no Aircross e no Basalt, os comandos dos vidros finalmente foram para as portas. Mudanças pequenas no papel, grandes na convivência diária.
O caso mais sensível. A correia dentada banhada a óleo virou tema recorrente de reclamações e gerou desconfiança, mesmo quando o problema estava ligado à manutenção fora do padrão. A Chevrolet entendeu que imagem também se protege com ação. Em 2025, adotou material mais resistente na correia, atualizou o visual e ampliou a garantia para cinco anos. Não foi só correção técnica, foi reposicionamento de credibilidade.
O elétrico compacto chegou em 2024 com preço competitivo e apelo urbano, mas bastaram algumas semanas para a principal crítica ganhar corpo: a suspensão não lidava bem com o piso brasileiro. Em valetas, lombadas e remendos, o carro batia seco e transmitia insegurança em velocidades mais altas. A reação da marca foi rápida. A recalibração trouxe um rodar mais assentado, sem mudar proposta nem encarecer o produto. O Dolphin Mini continuou pequeno e elétrico, mas passou a parecer mais carro e menos experimento urbano.