O governo federal aprovou o aumento da quantidade obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, mudança que terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período. A nova composição começará a ser utilizada após a publicação da decisão no Diário Oficial da União.
A aprovação foi feita pelo Conselho Nacional de Política Energética, presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após quatro adiamentos da reunião. O colegiado assessora a Presidência da República na definição das políticas para o setor e conta com representantes de ministérios como Fazenda, Casa Civil e Planejamento.
Enquanto prepara a adoção da gasolina com 32% de etanol, o governo já realiza estudos para elevar o percentual a 35%, mistura chamada tecnicamente de E35. Os trabalhos são conduzidos pelo Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro e analisam a durabilidade de peças e os efeitos do combustível depois de longos períodos de uso.
O Ministério de Minas e Energia ainda não apresentou uma data para a possível adoção do E35. Antes de qualquer nova mudança, os testes deverão verificar como motores, sistemas de alimentação e outros componentes reagem ao teor maior de etanol, principalmente nos veículos que não foram desenvolvidos como flex.
A gasolina vendida nos postos recebe o etanol durante o processo de distribuição realizado pelas empresas do setor. No aumento anterior, que levou a mistura de 27,5% para 30%, o governo declarou que os ensaios não encontraram impactos relevantes no funcionamento dos automóveis, incluindo modelos equipados apenas com motores a gasolina.
A decisão também busca diminuir a dependência brasileira da gasolina importada em um momento de alta do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio. O Brasil compra no exterior cerca de 15% da gasolina que consome, portanto o uso de mais etanol nacional reduz a quantidade de combustível fóssil necessária para abastecer o mercado interno.
Segundo os cálculos do Ministério de Minas e Energia, a passagem de 30% para 32% poderá evitar a importação de aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina. Alexandre Silveira afirmou que a ampliação gradual da mistura poderá levar o país à autossuficiência no abastecimento e eliminar a necessidade de compras externas.
A elevação já havia sido anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas dependia da aprovação formal do conselho. Para os motoristas, a mudança deverá ser acompanhada nos próximos meses por avaliações de consumo, desempenho, partida e durabilidade, enquanto os estudos do E35 tentarão identificar possíveis efeitos em veículos antigos, importados e modelos movidos exclusivamente a gasolina.