O sistema de pedágio eletrônico conhecido como Free-Flow, já usado em países da Europa e da América do Norte, começará a operar nas rodovias brasileiras a partir de 2026. O modelo elimina completamente as praças de pedágio, permitindo que os veículos passem livremente por pórticos equipados com câmeras e sensores que identificam a placa do carro. A cobrança acontece de forma automática, sem que o motorista precise parar ou reduzir a velocidade.
A nova tecnologia promete acabar com as filas e reduzir o tempo de viagem, especialmente em trechos de grande movimento. Cada passagem será registrada em tempo real, e o pagamento poderá ser feito por TAGs eletrônicas, aplicativos oficiais ou boleto digital. Quem não quitar o valor dentro do prazo poderá ser multado, de forma semelhante às penalidades aplicadas hoje por evasão de pedágio.
Segundo o Ministério dos Transportes, o Free-Flow também permitirá uma cobrança mais justa. O motorista pagará de acordo com a distância percorrida, e não mais por trecho fixo. Na prática, quem usa a rodovia apenas por alguns quilômetros — por exemplo, para acessar um bairro vizinho ou um posto de serviço — pagará bem menos do que quem cruza todo o trajeto. Essa mudança deve alterar significativamente o custo médio de deslocamento diário de milhares de condutores.
Empresas concessionárias afirmam que a adoção do Free-Flow exigirá investimento pesado em infraestrutura digital e integração com bancos de dados estaduais. Ainda assim, o retorno deve vir na forma de menos evasão e maior fluidez no trânsito. O sistema também promete reduzir emissões de CO₂, já que elimina a necessidade de parar e arrancar nos pedágios tradicionais, economizando combustível.
Para o motorista comum, a principal dúvida é como será feito o controle e a cobrança. As TAGs de pedágio eletrônico continuarão sendo o método mais prático, mas o governo afirma que será possível pagar mesmo sem adesivo, apenas com a leitura da placa. O aplicativo oficial deve permitir acompanhar débitos e efetuar pagamentos em até 15 dias após a viagem.
Especialistas em mobilidade destacam que o Free-Flow pode representar o início de uma nova etapa na digitalização das rodovias brasileiras. Além do pagamento automatizado, o mesmo sistema poderá integrar, no futuro, monitoramento de tráfego, assistência a veículos elétricos e cálculo de tarifas dinâmicas conforme o horário e volume de trânsito. A promessa é de mais eficiência, mas também de maior responsabilidade digital para motoristas e concessionárias.
Enquanto o sistema não entra em operação definitiva, as primeiras rodovias com pedágio Free-Flow serão usadas em caráter experimental em 2025. A expectativa é que, até 2026, todas as novas concessões já incluam a tecnologia como requisito básico. A mudança marca uma virada na forma de dirigir no Brasil — mais conectada, prática e automatizada, mas que exigirá atenção redobrada para não deixar a fatura do pedágio passar despercebida.
Fonte: G1.