O mês de setembro marcou uma reviravolta no disputado mercado de SUVs no Brasil. Em apenas três meses desde o lançamento, o Volkswagen Tera assumiu a liderança nacional com 7.610 unidades vendidas, desbancando o Toyota Corolla Cross, que ficou em segundo lugar com 7.282 emplacamentos. Mais do que um simples número, o resultado simboliza a entrada definitiva da Volkswagen em uma nova fase, com um SUV compacto que conquista o público pela combinação de design, tecnologia e percepção de robustez.
O impacto é imediato. O Tera, lançado em junho, mostrou fôlego para superar concorrentes consolidados e ganhou a atenção de consumidores que antes olhavam para o Corolla Cross ou o Hyundai Creta. O sucesso também chega num momento delicado para a Toyota, que enfrenta as consequências de uma tempestade que atingiu sua fábrica de motores em Porto Feliz (SP), provocando uma pausa na produção e reflexos diretos nas vendas. Essa fragilidade abriu espaço para o avanço do novo SUV da Volkswagen.
Nos bastidores, o desempenho do Tera reacendeu o debate sobre a saturação do segmento. O público, cada vez mais exigente, busca novidades que misturem modernidade e confiabilidade — e o Tera parece ter entendido esse recado. Enquanto o Corolla Cross tenta se reerguer, o T-Cross, irmão mais velho do Tera e líder no acumulado do ano, viu suas vendas despencarem em setembro para 4.736 unidades, o que acende um alerta dentro da própria Volkswagen.
A montadora alemã vive, portanto, um paradoxo interessante. De um lado, comemora o sucesso meteórico do Tera; de outro, observa a canibalização de um de seus produtos mais rentáveis. Ainda assim, estrategistas da marca veem o movimento como parte natural de uma transição planejada, que visa renovar o público e fortalecer a imagem da Volkswagen entre os SUVs urbanos. O Tera foi criado exatamente para isso: capturar o consumidor que busca novidade sem abrir mão da confiança de uma marca tradicional.
O ranking da Fenabrave confirma a disputa acirrada. Atrás de Tera e Corolla Cross, o Nissan Kicks apareceu em terceiro com 6.319 unidades, seguido de Hyundai Creta (5.953) e Chevrolet Tracker (5.657). O Fiat Fastback manteve o ritmo estável, com 5.344 emplacamentos, e o Jeep Compass fechou o mês com 5.291, reforçando que o segmento continua sendo o mais competitivo do país.
No total, o mercado automotivo reagiu em setembro, com 231.370 automóveis e comerciais leves vendidos — um crescimento em relação a agosto, que registrou 214.490 unidades. Mesmo com juros altos e crédito restrito, o consumidor brasileiro segue disposto a investir em carros mais completos e sofisticados, especialmente os SUVs, que hoje respondem por boa parte das vendas no país.
O feito do Tera vai além das planilhas. Ele mostra que o público brasileiro continua sensível a design atualizado, conectividade intuitiva e percepção de custo-benefício real. A liderança mensal não garante hegemonia, mas marca o início de uma nova fase para a Volkswagen — e o sinal mais claro de que o trono dos SUVs está em disputa novamente.