A professora de pilates Larissa Rodrigues foi encontrada morta no banheiro de seu apartamento, em Ribeirão Preto, no dia 22 de março de 2025. O caso parecia mais uma tragédia doméstica até que a investigação revelou uma trama macabra que envolvia traição, dívidas e um veneno clandestino. O autor intelectual, segundo a polícia, seria o próprio marido da vítima, o médico Luiz Antonio Garnica, com participação direta da mãe dele, Elizabete Arrabaça.
Pontos Principais:
Ambos foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio doloso qualificado, com agravantes de feminicídio e uso de meio cruel, já que a substância usada foi o “chumbinho”, um raticida ilegal banido no Brasil desde 2012. A perícia toxicológica confirmou a presença do veneno no corpo de Larissa, que vinha se sentindo mal dias antes de morrer. Testemunhas disseram que ela reclamava de dores e diarreia, mas era impedida pelo marido de procurar atendimento médico.
O inquérito policial mostrou que o crime foi premeditado. Luiz teria organizado todo o cronograma do assassinato em seu computador, criando álibis e justificativas falsas. A mãe dele teria administrado o veneno à nora durante uma visita na noite anterior ao crime. O cheiro forte de produtos de limpeza no apartamento indicava tentativa de apagar vestígios. Quando os socorristas chegaram, o corpo da professora já apresentava rigidez cadavérica.
O comportamento de Luiz foi descrito como teatral: ele teria simulado manobras de ressuscitação e fingido desespero na presença do SAMU, embora mensagens extraídas do seu celular mostrassem que ele já havia comunicado a amante sobre a morte de Larissa minutos antes da chegada da equipe de emergência. A cronologia da mentira foi desmontada pelas evidências digitais e pelos depoimentos contraditórios dos envolvidos.
A motivação do crime, segundo a polícia e o Ministério Público, seria uma combinação explosiva: o casal enfrentava dívidas que ultrapassavam R$ 300 mil, boa parte proveniente de jogos de aposta, e Larissa havia descoberto uma traição e manifestado desejo de separação. O risco de um divórcio iminente e o fim do conforto financeiro teriam acelerado o plano.
O caso se torna ainda mais grave quando entra em cena outra morte, ocorrida um mês antes: a de Nathália Garnica, irmã de Luiz e filha de Elizabete. A morte inicialmente atribuída a um infarto foi revisitada com uma exumação, e a análise dos restos mortais também identificou envenenamento por chumbinho. A polícia agora investiga a sogra de Larissa como possível autora desse segundo crime.
A movimentação bancária da professora após sua morte acendeu um novo alerta. Segundo o advogado da família, a conta da vítima foi acessada dias após o óbito, o que reforça a tese de um crime premeditado com objetivos financeiros claros. Frascos de remédio foram apreendidos no apartamento de Elizabete e estão em análise pericial.
O delegado Fernando Bravo afirmou em coletiva que as provas são consistentes: celulares, mensagens, cronologias e comportamento dos acusados revelam não só a execução do plano, mas também sua frieza. A Polícia Civil considera o inquérito encerrado quanto ao caso Larissa e o encaminhou ao Ministério Público, que deve apresentar denúncia nos próximos dias.
Luiz e Elizabete estão presos preventivamente desde 6 de maio. A defesa dos acusados ainda não se pronunciou formalmente. Enquanto isso, o caso da morte de Nathália segue em investigação paralela, podendo se desdobrar em mais um processo criminal.
O caso Larissa Rodrigues representa não apenas um crime brutal, mas uma história que envolve poder familiar, manipulação, falsas aparências e o uso deliberado de um veneno conhecido pela letalidade e clandestinidade. A tragédia em Ribeirão Preto expôs não só uma morte, mas uma cadeia de relações marcadas por omissão, encenação e desprezo pela vida.
Com informações de Diariodocentrodomundo, G1, Terra, CNN e Metropoles.