A Mitsubishi comunicou nesta quarta-feira, 27 de agosto, a desistência de três projetos de energia eólica offshore no Japão, em uma decisão que representa um revés significativo para os planos de segurança energética e descarbonização do país. A empresa afirmou que os custos de construção mais do que dobraram desde a fase de licitação realizada em 2021, inviabilizando a continuidade dos empreendimentos.
Os projetos estavam localizados nas prefeituras de Chiba e Akita e tinham capacidade projetada de 1,76 gigawatt, com previsão de início de operação entre 2028 e 2030. Um consórcio liderado pela Mitsubishi havia vencido os leilões iniciais para explorar as áreas, mas a disparada nos preços, principalmente ligados à construção e à cadeia de suprimentos, tornou os investimentos insustentáveis.
De acordo com o CEO da companhia, Katsuya Nakanishi, a avaliação foi exaustiva e incluiu alternativas de reestruturação de fornecedores e revisão de contratos. Contudo, mesmo com ajustes e contramedidas, as projeções de receita não seriam suficientes para cobrir as despesas operacionais, de manutenção e de implantação, levando ao cancelamento.
No início do ano, a Mitsubishi já havia registrado perdas de 52,2 bilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente 354 milhões de dólares, relacionadas a esses projetos. Embora a companhia tenha reafirmado o compromisso com a transição energética e a redução de emissões, Nakanishi não assegurou que voltaria a disputar novos leilões de eólicas offshore no Japão.
O governo japonês considerou a retirada “profundamente lamentável” e destacou que a decisão prejudica a confiança pública nos planos de energia limpa. O ministro da Indústria, Yoji Muto, declarou que o cancelamento atrasa os cronogramas de expansão e enfraquece expectativas locais, mas ressaltou que os três empreendimentos serão novamente leiloados em outra rodada, ainda que o aumento dos custos represente um desafio adicional.
A meta do Japão é atingir 10 gigawatts de capacidade instalada em energia eólica offshore até 2030 e chegar a 45 gigawatts até 2040. Atualmente, cerca de um décimo desse volume já foi leiloado. Além da Mitsubishi, companhias internacionais como RWE, Iberdrola e BP conquistaram participação em projetos futuros no território japonês.
Apesar das expectativas oficiais, a saída de uma empresa nacional de peso como a Mitsubishi expõe fragilidades do setor diante da pressão inflacionária global e da escassez de insumos. Ao mesmo tempo, reforça a dependência japonesa de combustíveis importados, principalmente gás natural liquefeito, em um momento em que a demanda pode crescer com a expansão de data centers e da inteligência artificial.