O mercado brasileiro de carros elétricos entrou em 2025 com uma velocidade que poucos previram e que agora desafia toda a estrutura automotiva do país. A BYD ultrapassou 40 mil unidades no ano e consolidou o maior domínio já registrado no segmento de elétricos no Brasil.
Os emplacamentos mostram uma disparidade inédita. Entre janeiro e setembro de 2025 foram registrados mais de 53 mil carros elétricos no Brasil e pouco mais de 40 mil pertencem à BYD. A empresa rompeu a barreira dos 100 mil elétricos vendidos desde sua chegada ao país e se posicionou como referência absoluta em volume.
Esse avanço criou um novo cenário. A concentração de mercado se tornou evidente e pressiona o restante da indústria. A expansão da marca chinesa não apenas lidera a adoção, como define expectativas de preço, autonomia e disponibilidade, enquanto concorrentes caminham em ritmo menor. Isso coloca o setor diante de uma dependência crescente de um único fabricante.
Um dado recente escancara o descompasso entre crescimento de frota e estrutura de apoio. Cerca de 88 por cento dos motoristas brasileiros querem pagar pela recarga diretamente com cartão, sem aplicativo. É uma demanda simples, mas que expõe a falta de padronização das redes de carregamento e gera atrito na experiência do usuário.
A expansão da infraestrutura não acompanha o ritmo de entrada de novos carros. A recarga pública avança de forma desigual e concentra-se em regiões mais ricas. O resultado é um cenário no qual o carro avança mais rápido do que o ecossistema que deveria sustentá-lo.
A demanda não é acidental. Relatórios recentes mostram que veículos eletrificados cresceram quase 90 por cento em 2024 e somaram mais de 177 mil unidades. Em 2025, até agosto, já ultrapassam 126 mil registros, incluindo híbridos e elétricos, com cerca de 9 por cento do mercado de carros leves.
O interesse também é crescente. Três em cada quatro brasileiros afirmam querer comprar um elétrico nos próximos cinco anos. Entre os proprietários, mais de 90 por cento não voltariam para motores a combustão. São indicadores de adesão real e sustentada, reforçada por economia operacional, sensação de modernidade e menor impacto ambiental percebido pelo consumidor.
A imagem sustentável do elétrico continua sendo motor de vendas. O público associa o carro a menor impacto ambiental, manutenção mais simples e redução de emissões. A narrativa funciona, mas convive com ruídos que ainda dificultam a compreensão da tecnologia.
A distribuição desigual de recarga, a ausência de políticas robustas para reciclagem de baterias e a falta de transparência sobre custos de manutenção aparecem como pontos sensíveis. O avanço do mercado não elimina esses desafios, apenas os torna mais visíveis.
O Brasil vive uma fase de aceleração que combina entusiasmo real, lacunas estruturais e dependência crescente de um único fabricante. A popularização do elétrico não é mais um experimento, mas tampouco é uma jornada consolidada. O futuro imediato depende da capacidade do país em corrigir gargalos de recarga, ampliar concorrência e distribuir melhor a infraestrutura. A adoção cresce, o interesse se mantém e as vendas avançam, mas a sustentação desse movimento passa por decisões que ainda não foram tomadas.
Fonte: InsideEVs, PortalDoTransito e Exame.