O mercado automotivo brasileiro ganhou um novo protagonista em outubro. Depois de meses de expectativas, o Volkswagen Tera finalmente se firmou como o carro de passeio mais vendido do país, superando modelos consagrados como Polo, HB20 e T-Cross. O feito confirma o fôlego do SUV subcompacto, que atingiu 10.162 unidades vendidas no mês, segundo dados da Fenabrave. O avanço não só consolidou o Tera como fenômeno recente da Volks, mas também redesenhou a hierarquia entre os veículos mais buscados pelos consumidores.
A liderança geral ainda pertence à Fiat Strada, que segue inalcançável com 14.041 unidades — um recorde histórico para a picape. Mesmo sem grandes novidades visuais ou mecânicas, o modelo mantém sua trajetória ascendente e sustenta o título de veículo mais vendido do Brasil em 2025. O desempenho reforça o apelo de custo-benefício e a versatilidade da Strada, que se mantém relevante em um mercado cada vez mais dominado por SUVs.
O Tera, por sua vez, demorou a encontrar seu espaço. Lançado com a missão de substituir o Gol como símbolo de volume da Volkswagen, o SUV enfrentou um início de vendas morno. Só agora, com ajustes na oferta e campanhas mais agressivas nas concessionárias, o modelo conseguiu converter a curiosidade em resultados concretos. Em setembro, o Tera havia registrado 7.610 unidades; um mês depois, rompeu a barreira de 10 mil e se tornou o SUV mais emplacado do país.
O sucesso do Tera teve efeito imediato dentro da linha da marca. O Polo, que vinha sustentando a vice-liderança em meses anteriores, caiu para a quinta colocação, com 9.150 unidades. O T-Cross também perdeu força, descendo para o oitavo lugar. A movimentação mostra como o novo SUV reposicionou o portfólio da Volks: ao mesmo tempo em que ampliou a presença da marca no topo do ranking, acabou canibalizando parte das vendas internas.
O fenômeno reflete uma tendência global da indústria: o público brasileiro tem preferido SUVs compactos, mais altos e com visual robusto, mesmo quando compartilham plataforma com hatches. O Tera cumpre esse papel com eficiência. Sua proposta urbana, aliada ao nome forte da Volkswagen, conseguiu capturar consumidores que antes migravam entre Polo e Nivus.
Entre os rivais, o Hyundai HB20 manteve fôlego e subiu uma posição, alcançando o quarto lugar, enquanto o Fiat Argo ficou estável em terceiro. O Creta, também da Hyundai, cresceu e voltou ao grupo dos seis primeiros, com 8.679 unidades. Já o Honda HR-V, mesmo enfrentando o lançamento do WR-V, recuperou espaço e fechou o mês em nono. A disputa pelo top 10 segue intensa, e pequenas variações podem redefinir o pódio a cada balanço mensal.
O cenário mostra uma concentração cada vez maior de modelos da Volkswagen e Hyundai no topo, enquanto marcas como Chevrolet e Honda lutam para manter competitividade. A própria Fiat, além da Strada e do Argo, observa a movimentação com cautela: a liderança ainda é dela, mas a chegada do Tera abre um novo capítulo na briga pelo mercado de entrada e pelos SUVs compactos.
A ascensão do Tera indica uma mudança clara de perfil do comprador brasileiro. O público busca agora veículos que unam espaço interno, conectividade e aparência moderna sem abrir mão de preço competitivo. Mesmo posicionado acima do Polo, o SUV entrega a sensação de status e segurança que o consumidor valoriza. O resultado mostra que, para crescer, as montadoras precisam equilibrar emoção e racionalidade: design atraente, motor eficiente e oferta de tecnologia embarcada.
A reação do mercado também evidencia a importância da estratégia comercial. A Volkswagen conseguiu impulsionar o Tera por meio de maior disponibilidade nas concessionárias, campanhas publicitárias mais assertivas e versões com pacotes de equipamentos bem ajustados à demanda. O modelo, antes coadjuvante, passou a representar o que a marca entende como novo carro popular — não no preço, mas na proposta de acessibilidade e modernidade.
Fonte: Estadao e Automaistv.