A Volkswagen passou décadas vendendo a Saveiro para quem precisava trabalhar durante a semana e levar a família para passear no domingo, mas agora prepara uma picape maior, com quatro portas, caçamba de até 1.393 litros e um sistema híbrido leve, a Tukan, prevista para o início de 2027 com uma missão que vai muito além de substituir a velha companheira de carga: enfrentar a Fiat Strada e disputar espaço com a Toro.
A Saveiro construiu sua história carregando ferramentas, material de construção, compras e tudo aquilo que não cabia em um carro comum, mas o mercado mudou, as famílias passaram a exigir mais espaço e a Fiat Strada ganhou terreno com versões de cabine dupla, enquanto a Toro mostrou que uma picape também poderia servir como carro de passeio, deixando a Volkswagen diante de uma escolha que já não podia ser adiada.

A resposta começou a ganhar forma no Brasil, onde a Tukan foi pensada, desenhada e desenvolvida para assumir o lugar da Saveiro sem abandonar quem depende de uma caçamba, mas oferecendo uma carroceria maior, espaço para passageiros e uma capacidade de transporte que coloca a nova Volkswagen diante de sua principal concorrente com números que chamam a atenção.
Com 4,635 metros de comprimento, 1,795 metro de largura, 1,60 metro de altura e 2,79 metros de distância entre os eixos, a Tukan será 17 centímetros mais comprida, 7 centímetros mais larga e terá 5 centímetros adicionais entre os eixos em relação à Strada, embora fique aproximadamente 1 centímetro mais baixa, diferenças que podem parecer pequenas na garagem, mas mostram o quanto a Volkswagen pretende crescer sem transformar sua nova picape em um veículo do tamanho da Toro.
Na comparação com a Saveiro, a mudança fica ainda mais clara, porque a Tukan terá 15 centímetros adicionais no comprimento, 8 centímetros na largura, 4 centímetros na altura e outros 4 centímetros entre os eixos, enquanto a Toro continuará em uma categoria de tamanho superior, com seus 4,95 metros de comprimento, 1,85 metro de largura, 1,69 metro de altura e 2,98 metros de entre-eixos.

Mas uma picape não ganha a vida apenas ocupando espaço na rua, e a Volkswagen reservou uma das mudanças mais importantes para a parte traseira, onde a versão de cabine simples terá uma caçamba de 1.393 litros, contra 1.027 litros da Saveiro, uma diferença de 366 litros que representa aproximadamente 30% a mais de volume para transportar mercadorias, equipamentos e tudo aquilo que acompanha a rotina de quem trabalha com o carro.
A Fiat Strada de cabine simples oferece 1.354 litros, portanto a Tukan terá 39 litros adicionais, uma vantagem pequena no papel, mas suficiente para colocar a Volkswagen à frente da principal concorrente em volume de caçamba, embora ainda seja necessário conhecer o peso máximo permitido antes de afirmar qual delas poderá carregar mais mercadoria.
A diferença fica maior quando entram os bancos traseiros, porque a Tukan de cabine dupla terá 962 litros de caçamba, enquanto a Saveiro equivalente oferece 645 litros e a Strada chega a 844 litros, deixando a nova Volkswagen com 317 litros adicionais em relação à sua antecessora e 118 litros a mais do que a rival da Fiat, um ganho de 49% sobre a Saveiro para quem precisa levar passageiros sem abrir mão de carregar ferramentas, malas ou materiais de trabalho.
O peso máximo de carga da Tukan ainda não foi confirmado, embora exista a expectativa de que supere o da Saveiro e fique perto ou acima de 700 kg, enquanto o rack de teto terá capacidade para até 50 kg, informação importante para quem pretende transportar objetos sobre o veículo sem ultrapassar os limites previstos pela fabricante.

Debaixo da carroceria, a Volkswagen escolheu uma solução conhecida de quem trabalha com picapes, com suspensão traseira de eixo rígido e feixes de molas em todas as versões, um conjunto que favorece o transporte de peso e ajuda a explicar por que veículos feitos para carregar mercadorias costumam ter um comportamento diferente dos carros de passeio quando estão vazios.
Essa escolha também mostra que a Tukan não pretende abandonar suas origens de veículo de trabalho para parecer apenas um automóvel com caçamba, embora exista a possibilidade de a suspensão transmitir mais movimentos aos ocupantes em pisos ruins, especialmente sem carga, uma característica que ainda dependerá de testes com a versão definitiva para ser avaliada.
Os freios traseiros serão a tambor, conforme observado nos veículos apresentados até agora, enquanto a iluminação dianteira e traseira será feita por LEDs, com os mesmos faróis full LED utilizados pelo Nivus na parte da frente, aproximando a aparência da nova picape de outros modelos da Volkswagen.
A engenharia brasileira também recebeu atenção antes mesmo de a Tukan começar a trabalhar nas ruas, porque sua carroceria venceu o prêmio de melhor estrutura da SAE Brasil, reconhecimento ligado ao desenvolvimento do veículo e que não deve ser confundido com resultados de testes independentes de segurança ou com uma avaliação de seu comportamento em acidentes.
O motor ainda guarda uma parte importante da história, já que a Volkswagen confirmou a presença de um conjunto híbrido leve, mas não revelou oficialmente a configuração completa, abrindo espaço para a possibilidade de a Tukan utilizar um 1.5 eTSI flex associado a um sistema elétrico de 48 V, aproveitando a plataforma MQB Hybrid desenvolvida para receber esse tipo de tecnologia.
A expectativa é que as versões intermediárias possam receber um motor 1.0 turbo de 116 ou 128 cv, enquanto as configurações de entrada, destinadas principalmente ao trabalho, poderão manter o conhecido 1.6 aspirado de 116 cv da Saveiro, mas essas possibilidades ainda dependem de confirmação da Volkswagen e não devem ser tratadas como versões já anunciadas.

O sistema híbrido leve também não significa que a Tukan será uma picape elétrica capaz de percorrer longas distâncias sem gasolina ou etanol, porque esse tipo de tecnologia utiliza a eletricidade para auxiliar o funcionamento do motor a combustão, embora os números de consumo, desempenho e economia da nova Volkswagen ainda não tenham sido divulgados.
A produção ficará em São José dos Pinhais, no Paraná, onde a Tukan dividirá espaço industrial com Virtus e T-Cross, dentro de um investimento de R$ 3 bilhões que envolve diferentes etapas do projeto, da digitalização à estamparia, pintura, controle de qualidade e certificação, com previsão de exportação para outros países da América do Sul.
Quando chegar às concessionárias, no início de 2027, a Tukan encontrará uma Fiat Strada que já conhece bem o público brasileiro e uma Toro que ocupa uma faixa superior em tamanho, enquanto a Saveiro deixará como herança a imagem de uma picape simples e trabalhadora, construída ao longo de décadas de serviços prestados.
A Volkswagen ainda precisa revelar preços, versões definitivas, motores, capacidade de carga em quilos e números de consumo, mas já mostrou que a sucessora da Saveiro não será apenas uma troca de nome, porque terá carroceria maior, caçambas mais volumosas e espaço para disputar clientes que antes precisavam escolher entre levar a família ou carregar mais mercadoria.
A grande pergunta para 2027, portanto, não será apenas quanto a nova Tukan consegue transportar, mas quanto a Volkswagen vai cobrar por uma picape que pretende oferecer mais espaço do que a Strada sem chegar ao tamanho da Toro, pois uma caçamba maior resolve parte da vida de quem trabalha, mas é o preço que determinará quantas dessas picapes serão vistas nas ruas brasileiras.
Com informações da QuatroRodas e Vwnews.



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