Os carros autônomos deixaram de ser promessa distante e entraram na rotina de testes reais conduzidos pelas maiores empresas de tecnologia. Quando o CEO da Uber afirma que motoristas devem perder espaço para sistemas de IA em cerca de dez anos, o assunto passa a afetar diretamente quem depende do transporte por aplicativo.
A declaração ganha força porque vem acompanhada de uma movimentação concreta. A Uber já opera veículos autônomos em Austin e Atlanta, em parceria com a Waymo, mostrando que parte da frota começa a migrar para operações sem intervenção humana. Não é projeção teórica, é um sistema em funcionamento nas ruas.
A expansão desses testes mostra que a tecnologia amadureceu o suficiente para lidar com rotas padronizadas, tráfego previsível e mapas detalhados. Tesla, Baidu e Pony.ai seguem a mesma linha e já transportam passageiros em regiões específicas, reforçando que a disputa por liderança não está limitada à Uber.
Esse ambiente acelerou investimentos. Em outubro, a Uber destinou US$ 300 milhões ao desenvolvimento de veículos elétricos controlados por IA, em parceria com a Lucid Motors. O objetivo é depender menos de terceiros e acelerar o domínio sobre sistemas próprios de autonomia.
Segundo o iG, a previsão da empresa aponta para uma frota híbrida, com humanos e robôs dividindo espaço nas viagens. Na prática, os carros autônomos devem assumir trajetos mais simples e repetitivos, enquanto motoristas ficam responsáveis por percursos complexos ou de maior valor. É um redesenho silencioso, porém consistente, do modelo que sustenta o negócio.
A vantagem operacional da IA, com custos menores e maior regularidade, cria pressão sobre o atual formato de trabalho. Esse movimento tende a remodelar a relação entre plataforma e condutores conforme a tecnologia ganha escala.
As declarações do CEO não indicam aposta futura, mas leitura direta do que já está em andamento no mercado global. Com mais testes, acordos e investimentos, a autonomia deixa de ser discussão distante e passa a definir as próximas escolhas estratégicas da mobilidade urbana. Quem atua hoje como motorista de aplicativo entra em um período de transição em que adaptação vai ser decisiva para manter espaço em um mercado que caminha rapidamente para a automação.