A Volkswagen do Brasil apresentou nesta terça-feira (15) o OTTO, um sistema de inteligência artificial que a marca define como a primeira IA automotiva generativa criada por uma montadora no país. O recurso chega primeiro ao VW Tera, SUV recém-lançado, e promete abrir uma nova etapa na disputa por conectividade no setor automotivo nacional.
A tecnologia foi desenvolvida dentro da iniciativa VW Tech_, braço de inovação digital da marca, em parceria com a Accenture Brasil e o time de design da Volkswagen Américas. O sistema combina modelos de linguagem do Google com uma arquitetura proprietária da montadora e integração direta aos dados do carro. O resultado é um assistente que responde por voz, indica rotas, explica itens do manual e até sugere manutenções preventivas — um tipo de interação que, segundo a marca, inaugura uma “nova relação entre condutor e veículo”.
A Volkswagen aposta no conceito de “companheirismo digital”, em que o carro passa a ser um parceiro ativo na condução e no cotidiano do motorista. Essa aproximação, porém, também levanta debates sobre privacidade e sobre até que ponto a integração de dados pode interferir na autonomia do usuário. O comando “Fala, OTTO!” dá início à conversa com o sistema, que responde a temas variados — de informações técnicas a previsões do tempo e recomendações de serviços.
O lançamento é parte de uma trajetória que começou em 2020 com o Nivus, primeiro modelo da marca a adotar o sistema VW Play. De lá para cá, a Volkswagen vem ampliando o pacote de conectividade em sua linha, com destaque para o app Meu VW 2.0 e o VW Play Connect, que permitem acionar funções remotas, consultar manuais com IA e agendar revisões. Em 2024, o Novo Nivus consolidou esse avanço ao incorporar internet a bordo e aplicativos nativos.
Em 2025, o conceito se expandiu para o Novo T-Cross e o Novo Tera, e deve chegar também ao Taos 2026. A estratégia é clara: transformar a conectividade em diferencial competitivo e fidelizar o cliente por meio de serviços agregados. O programa Volks Club reforça esse movimento, com vantagens como gratuidade no Sem Parar e pontos no Livelo.
Mesmo com a aposta tecnológica, o OTTO chega em um momento em que o público brasileiro ainda testa os limites da digitalização automotiva. O uso de IA generativa em carros levanta dúvidas sobre segurança cibernética, armazenamento de dados e dependência de sistemas em nuvem. Especialistas apontam que, embora o pioneirismo da Volkswagen seja relevante, a experiência prática do consumidor será o verdadeiro termômetro de sucesso.
Ao colocar o OTTO em operação, a Volkswagen busca não apenas consolidar sua posição como referência em inovação, mas também responder à pressão de um mercado em rápida transformação. O movimento insere a marca no grupo de montadoras que tentam transformar o automóvel em uma extensão conectada da vida digital — uma fronteira onde tecnologia e privacidade ainda aprendem a dividir o mesmo espaço.
Fonte: Vwnews.