A Toyota reabriu nesta terça-feira, 21 de outubro, suas fábricas em Sorocaba e Indaiatuba, no interior de São Paulo, após quase um mês de paralisação causada pelos estragos do vendaval que atingiu a unidade de Porto Feliz. O evento climático, registrado em 22 de setembro, comprometeu a fabricação de motores e interrompeu a cadeia de produção que abastece toda a América Latina.
A retomada representa um passo importante para restabelecer o ritmo industrial da montadora no país. As linhas de montagem de Sorocaba, responsáveis pelos modelos Corolla, Corolla Cross e Yaris, voltam gradualmente à operação, enquanto o aguardado Yaris Cross teve seu lançamento adiado para 2026. Cerca de 4.500 trabalhadores retornaram às atividades, após semanas de incerteza e de negociações internas.
Durante o período de inatividade, a empresa avaliou alternativas logísticas para garantir o fornecimento de motores. A solução encontrada foi importar componentes de outras unidades da Toyota no exterior, permitindo retomar a montagem no Brasil. Segundo a empresa, o plano inicial é concentrar os esforços na produção das versões híbridas de Corolla e Corolla Cross, tanto para o mercado nacional quanto para exportação, compensando o volume não produzido entre 23 de setembro e 31 de outubro.
O acordo de layoff, que estava previsto para entrar em vigor neste mesmo dia 21, foi suspenso nas plantas de Sorocaba e Indaiatuba. A decisão, aprovada por mais de 96% dos funcionários, assegura estabilidade no emprego e pagamento integral do Programa de Participação nos Resultados (PPR). Já em Porto Feliz, onde os danos foram mais severos, o layoff permanece em vigor, sem previsão para retomada das atividades.
A Toyota comunicou que a reativação será gradual, com foco na segurança dos colaboradores e na qualidade do processo industrial. Neste período, os trabalhadores das duas fábricas passarão por treinamentos e ajustes de linha antes do reinício da montagem completa, previsto para novembro. A empresa reforçou que o ritmo de produção seguirá protocolos rigorosos de segurança e qualidade, mantendo padrões globais da marca.
Imagens registradas por funcionários mostraram a dimensão do estrago em Porto Feliz. Telhados foram arrancados, estruturas metálicas retorcidas e veículos virados pela força do vento. A Defesa Civil confirmou que a cidade foi atingida por uma microexplosão, um fenômeno em que ventos descendentes de alta velocidade — provenientes de nuvens cumulonimbus — atingem o solo com grande intensidade. As rajadas chegaram a 90 km/h, provocando danos em diversos pontos do município.
Com a retomada parcial das atividades, a Toyota busca equilibrar sua operação no Brasil diante de um cenário desafiador. A prioridade, segundo fontes ligadas à produção, é recompor o estoque de veículos híbridos e reorganizar o cronograma de exportação. Apesar do impacto momentâneo, a empresa mantém sua estratégia de ampliar a participação dos modelos eletrificados no mercado latino-americano e reforçar a produção nacional como base de referência tecnológica para a região.
Fonte: Toyotacomunica e G1.