Fernão Dias: Leilão da Rodovia Recebe Três Propostas

Disputa pela Fernão Dias reúne três grupos, valida contrato repactuado, exige obras extensas até 2040 e redefine o cenário das concessões rodoviárias federais.
Publicado por em Cidades dia | Atualizado em

A Fernão Dias entrou em licitação com um movimento pouco comum no setor de concessões e, justamente por isso, atraiu atenção de todo o mercado. O processo simplificado recebeu propostas de Arteris, Motiva e EPR, algo que não ocorreu nos três editais anteriores do mesmo modelo. Essa concorrência quebra o padrão recente de entregas automáticas às operadoras que já administravam os trechos e recoloca a disputa por ativos rodoviários em outro patamar de interesse.

O pacote técnico e financeiro que sustenta a atratividade

Leilão da Fernão Dias recebe três propostas, rompe sequência sem concorrência, envolve contrato repactuado, amplia exigência de obras e projeta impacto direto no setor.
Leilão da Fernão Dias recebe três propostas, rompe sequência sem concorrência, envolve contrato repactuado, amplia exigência de obras e projeta impacto direto no setor.

O contrato repactuado funciona como um pacote fechado. Ele já nasce com parâmetros técnicos revisados, projeções definidas e mecanismos de equilíbrio financeiro mais objetivos. O vencedor assume a obrigação de executar um ciclo robusto de melhorias ao longo de uma década, um planejamento que inclui 108 km de faixas adicionais, 14 km de marginais, 62 acessos redesenhados, 29 passarelas e novos túneis e passagens de fauna. A dimensão das obras explica parte da atratividade, assim como o volume previsto para sustentar o cronograma, com R$ 9,4 bilhões destinados a investimentos e R$ 5,3 bilhões estimados em custos operacionais até 2040.

A rodovia carrega peso logístico e econômico. A ligação direta entre São Paulo e Belo Horizonte registra tráfego médio superior a 61 mil veículos por praça de pedágio, um fluxo que reduz volatilidade e facilita projeções de caixa de longo prazo. Essa previsibilidade é justamente o que analistas apontam como um dos motores da disputa. O contrato trabalha com uma taxa interna de retorno projetada em 11,41%, nível considerado suficiente para justificar o interesse de grupos especializados, desde que a execução seja eficiente e o ambiente regulatório mantenha estabilidade.

Como o mercado financeiro lê a disputa

As avaliações de bancos reforçam a leitura de que o resultado do leilão terá impacto para além do trecho concedido. Segundo a Infomoney, para o Bradesco BBI, a Motiva enxerga no projeto uma combinação de escala e familiaridade com ativos rodoviários, mesmo com maior complexidade regulatória. A Genial destaca o apetite por corredores de alta demanda como sinal de confiança no ecossistema de concessões. O BTG Pactual coloca a Fernão Dias como peça estratégica para empresas que buscam portfólios mais robustos, especialmente após reorganizações internas e venda de ativos não essenciais, caso da própria Motiva no segmento aeroportuário.

Estratégias e perfis dos concorrentes

Cada competidor chega com motivações distintas. A Arteris, operadora atual, conhece detalhadamente os gargalos do trecho e os pontos críticos das obras. A Motiva busca consolidar posição em rodovias de grande capex e tráfego resiliente. A EPR mira expansão acelerada, ampliando área de atuação em corredores relevantes. Para todas, o ativo carrega peso na composição das receitas e na percepção do mercado sobre capacidade de execução.

O que projeta o setor após este leilão

O desfecho do leilão servirá como referência para próximos projetos, principalmente porque o governo federal prepara um pipeline próximo de R$ 100 bilhões. Se a concorrência se repetir, sinaliza um ciclo mais favorável para licitações que estavam encontrando resistência. Para o usuário da Fernão Dias, o reflexo deve aparecer na etapa de obras, já que o contrato exige cronograma antecipado, indicadores de desempenho mais rígidos e um padrão de atendimento superior. A transformação da rodovia depende agora da engenharia e da capacidade de entrega nos próximos anos, etapa que decidirá se o modelo simplificado realmente vai cumprir o que as projeções prometem.

Pablo Silva
Pablo Silva
Especialista em jornalismo automotivo, analisa carros com olhar técnico e paixão por motores. Produz reportagens exclusivas e detalhadas para o Carro.Blog.Br.