A Fernão Dias entra em uma das fases mais decisivas desde a criação do modelo de concessões. O leilão da BR 381, marcado para 11 de dezembro na B3, destrava um pacote de mais de R$ 15 bilhões em obras que afetam diretamente quem cruza o eixo Belo Horizonte São Paulo todos os dias.
O edital aprovado pela ANTT mantém a disputa aberta mesmo após a repactuação com a atual concessionária. Isso recoloca a rodovia no radar de operadores que buscam ativos de alto fluxo, já que a via atende 33 municípios e registra tráfego médio acima de 61 mil veículos por praça, com 37% de caminhões. É um corredor crítico da economia do Sudeste, por isso o novo contrato prevê 108 quilômetros de faixas adicionais, 14 quilômetros de marginais, 9 quilômetros de correção de traçado, além de 29 passarelas, 17 interseções otimizadas e 62 melhorias de acesso.
A revisão contratual ganha peso porque tenta resolver gargalos antigos, especialmente nos trechos urbanos e de serra onde a rodovia costuma apresentar lentidão. O pacote inclui ainda seis passagens de fauna, duas áreas de escape e novos túneis, medidas que elevam padrões de segurança e reduzem riscos de interrupção, algo sentido especialmente por quem depende do trecho para transporte de carga.
O governo usa esse leilão como vitrine de uma pauta maior, segundo o iG. Em 2025 estão previstos 16 certames rodoviários que podem somar R$ 176 bilhões em investimentos, número que cresce para 45 leilões e mais de R$ 350 bilhões até 2026. A Fernão Dias, ao lado de outras concessões repactuadas, faz parte dessa estratégia de atualização de contratos para garantir operação mais eficiente, menor tempo de viagem e condições mais estáveis para empresas de logística e motoristas.
No ritmo atual, a disputa na B3 deve definir não só o próximo operador, mas o padrão de modernização que a rodovia vai seguir até 2040. Quem trafega pela BR 381 tende a perceber as mudanças de forma direta, conforme obras forem entregues e o corredor ganhar fluidez, segurança e previsibilidade.