A suspensão do rodízio em São Paulo chega como aquele raro momento em que a cidade, sempre frenética, resolve tirar o pé do acelerador. A CET confirmou que, de 22 de dezembro de 2025 a 9 de janeiro de 2026, ninguém precisará decorar final de placa, muito menos calcular rota para escapar de multa. Por alguns dias, a metrópole funcionará sem o ritual diário da restrição, algo tão inesperado que quase parece teste de laboratório.
O motivo é o de sempre, mas ainda assim convincente, o tráfego cai no fim do ano, as avenidas respiram, e até as marginais deixam de parecer pistas permanentes de sobrevivência urbana. A volta do esquema em 12 de janeiro de 2026 devolve a rotina, com o velho ciclo de finais de placa e horários de pico. É o momento em que cada motorista lembra por que a cidade exige estratégia até para atravessar dois bairros.
Mas nem tudo vira festa. Caminhões continuam presos às regras, com proibição de circular por trechos críticos como Centro Expandido, marginais Tietê e Pinheiros, avenida dos Bandeirantes e corredores que serpenteiam o sul e o leste da capital. Para eles, não existe férias, existe apenas o lembrete diário de que o tráfego pesado precisa ser mantido sob controle para que a cidade não imploda.
Enquanto isso, a Zona de Máxima Restrição ao Fretamento segue firme, limitando a circulação de ônibus e micro-ônibus de segunda a sexta das 5h às 21h, exceto feriados. É um território que trata veículos de fretamento como visitantes mal-humorados, sempre mantidos a uma distância segura das áreas mais densas.
Quando janeiro terminar a fase relaxada, tudo volta ao normal. E normal, em São Paulo, significa lembrar que até um simples deslocamento precisa ser milimetricamente planejado, ou o trânsito lembrará por que a cidade nunca perdoa quem vacila no volante.